Bahia terá o 1º mestrado profissionalizante sobre drogas do país

03/10/2008

O estado da Bahia terá o primeiro curso de mestrado profissionalizante sobre álcool e drogas do país. A informação foi dada, nesta sexta-feira (3), pela secretária-adjunta da Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), Paulina do Carmo Arruda Duarte, durante visita ao Centro de Atenção Psicossocial de Álcool e Drogas, da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab).


A criação do curso na Universidade Federal da Bahia (Ufba), com apoio institucional e financeiro da Senad, foi um dos objetivos da vinda da secretária-adjunta a Salvador.


Ela chegou quinta-feira (2), quando visitou o Centro de Estudos e Terapia do Abuso de Drogas (Cetad), onde se reuniu com o coordenador Antônio Nery Filho e técnicos da Sesab.


Os assuntos que tiveram ênfase nos encontros realizados por Paulina Duarte, nesses dois dias de permanência na cidade, foram a inclusão do tema drogas na reforma curricular das universidades e o apoio técnico e financeiro da Senad para o Observatório Baiano sobre Substâncias Psicoativas - Observa, que está em fase de implantação.


“Queremos estreitar a parceria entre a Senad e o Cetad, que é um dos centros de referência na difusão de conhecimentos sobre drogas”, disse a secretária-adjunta, acrescentando que o Observa se constituirá num órgão de informação, gestão e discussão crítica em torno do tema drogas, possibilitando a democratização das informações sobre o tema.


Prevenção e repressão


Segundo Paulina Duarte, as melhores políticas de drogas do mundo são aquelas que associam as ações de prevenção com as de repressão.


“A política nacional sobre drogas deve contemplar ações voltadas para o controle, fiscalização e repressão”, assegurou.

Ela citou como exemplo, a política nacional sobre o álcool, com a chamada lei seca, que associou os investimentos maciços já feitos em prevenção e acesso ao tratamento às ações de repressão ao consumo de álcool.


A secretária-adjunta explicou ainda que “a posição do governo não é de proibição total do álcool, mas de regulamentar e o monitorar as propagandas. O governo não pode fechar os olhos para o fato de o álcool ser um produto comum, culturalmente aceito, e que tem importante papel na economia, mas também não deve esquecer que o produto tem um potencial de risco muito grande para a saúde e para a segurança pública”.


O consumo de álcool, lembra, acarreta uma sobrecarga financeira muito grande para o Sistema Único de Saúde (SUS) e já se observa uma redução grande nos gastos, desde a entrada em vigor da chamada lei seca.


Investimento em bafômetros


Estudo nacional realizado no ano passado pela Senad, revelou que 48% da população dizem não ter o costume de beber.


Para Paulina Duarte, é um percentual significativo, mas que “não reduz nossa preocupação porque, quem bebe, bebe muito. É o caso dos jovens na faixa etária de 18 a 24 anos, que consomem bebida alcoólica quatro ou cinco doses além da dose inicial, aumentando os riscos de acidentes, brigas e violência”.


Outra questão levantada pela representante da Senad foi o início cada vez mais precoce do consumo de álcool, embora seja proibida a venda, oferta e consumo de álcool para menores de 18 anos. “É preciso intensificar as ações de prevenção junto às escolas, lideranças comunitárias e religiosas, empresas e profissionais de saúde”, enfatizou.


Duarte anunciou que a secretaria abriu licitação para a compra de 10 mil bafômetros, sendo 3 mil para equipar as viaturas da Polícia Federal e 7 mil para os estados que aderirem ao Programa Nacional de Segurança e Cidadania (Pronaci), do Ministério da Justiça, envolvendo recursos da ordem de R$ 30 milhões.


“Os policiais militares e federais contemplados com o programa deverão desenvolver ações de fiscalização que não sejam apenas repressivas, mas também educativas”, acentuou a secretária-adjunta.


Consumo de crack


Embora o álcool seja a droga mais consumida no mundo, a Senad estuda medidas para enfrentar o avanço do crack, sobretudo entre os jovens, onde o consumo é maior.


“Um estudo nacional, realizado em 2005, indicou que o crack é usado por 0,7% da população, mas sabemos que em determinadas cidades a prevalência é bem maior. Estamos iniciando uma nova pesquisa, junto a estudantes da rede básica, para aprofundar as informações em torno do assunto e, a partir daí, adotar medidas de restrição ao uso da droga”, disse Paulina Duarte.


Depois de uma reunião com a diretora e a assistente social do CAPsAD, Renata Jones e Andréa Leite, respectivamente, ela percorreu as instalações da unidade, mostrando-se entusiasmada com o serviço.


Localizado no bairro de Pernambués, conta com 30 profissionais, 1.114 usuários matriculados e presta atendimento a uma média de 30 crianças e entre 50 e 60 adultos/mês, em atividades de rua.