Estreitar os laços comerciais, culturais e religiosos entre a Bahia e a Nigéria. Este foi o motivo da visita da missão de Lagos à Bahia nesta segunda-feira (20). A missão foi recebida pelo governador Jaques Wagner, que assumiu o compromisso de visitar a província africana no próximo ano e contribuir para o intercâmbio cultural e comercial entre Lagos e a Bahia.
Segundo o governador da Bahia, as relações comerciais, culturais e religiosas entre o Brasil e a África estão cada vez mais intensas e a Bahia tem interesse em incluir os países africanos no roteiro turístico do estado. “Para isso, é preciso avaliar a possibilidade da criação de vôos comerciais da Bahia para a Nigéria, ou para Angola”, disse Wagner.
O governador de Lagos, Babatunde Raji Fashola, anunciou a construção da Casa da Bahia na província, devendo ficar pronta em 2009. A exemplo da Casa da Nigéria, único espaço cultural em homenagem ao país africano no Brasil, localizada em Salvador, no Pelourinho, a Casa da Bahia deve servir como instrumento de divulgação da cultura estadual. Ele disse que quatro ministros brasileiros já estiveram em Lagos avaliando a construção da Casa da Bahia.
Fashola afirmou que existe um interesse muito grande em investir no Brasil, principalmente na Bahia. “A nossa expectativa é de que possamos construir boas relações comerciais, turísticas e culturais com a Bahia a partir da criação de vôos comerciais, centros culturais e até com a vinda de um de nossos bancos para Salvador”, destacou.
Laços familiares
Wagner presenteou o governador de Lagos com um orixá, um oxalá de prata artesanal, símbolo do candomblé e uma das representações religiosas mais fortes da Bahia. Ele recebeu em troca um livro que conta a história de Lagos e de alguns reis africanos, além de uma estátua de cerâmica que representa o Carnaval comemorado na província.
O governador da Bahia comentou o sentimento dos brasileiros em relação à África. “Além da relação de irmandade, nós brasileiros temos um sentimento de retribuição, de débito com os africanos, pelo que eles passaram quando chegaram ao Brasil. Portanto, há um grande interesse em estreitarmos esses laços, que são, inclusive, familiares”, declarou.