As experiências que estão sendo realizadas no Corredor Central da Mata Atlântica (CCMA), na Bahia, em conjunto com a Secretaria do Meio Ambiente (Sema), Ministério Público, sociedade civil e outras instituições públicas, foram apresentadas, em Brasília, durante a oficina sobre Implementação de Corredores Ecológicos.
Os participantes também conheceram as ações de fortalecimento das Unidades de Conservação, a exemplo da revisão do Zoneamento Ecológico-Econômico da APA Tinharé-Boipeba, da elaboração dos planos de manejo do Parque Estadual da Serra do Conduru, dos Parques Nacionais do Descobrimento e Pau Brasil, da revisão do plano de manejo da Estação Ecológica de Wescelau Guimarães, além da implantação dos sete Mini Corredores e da modelagem e implementação de banco de dados da biodiversidade para a fiscalização.
De acordo com o secretário do Meio Ambiente da Bahia, Juliano Matos, que participou da oficina, os três dias de discussões foram salutares para a troca de experiências positivas, além de nortear novas ações e estratégias.
Na abertura do evento, na semana passada, o ministro do Meio Ambiente, Carlos Minc, afirmou ser um defensor dos Corredores Ecológicos. “Todo mundo que milita nesta área sabe que não existe nenhuma outra forma de preservar a fauna e a flora, senão com contínuos florestais”, enfatizou.
Minc informou aos participantes que o ministério criou três grandes unidades de conservação na Amazônia, para ampliar a fiscalização e auxiliar o projeto. Ele garantiu ainda que, em breve, será publicado o decreto que regulamenta a Mata Atlântica.
Já a secretária de Biodiversidade e Florestas do Ministério do Meio Ambiente, Maria Cecília Wey de Brito, destacou que todos os esforços estão sendo feitos para descentralizar o projeto e replicar as experiências positivas em outros biomas brasileiros.
A oficina reuniu aproximadamente 50 participantes, entre eles, representantes da Secretaria de Estado de Meio Ambiente e Recursos Hídricos do Espírito Santo, Banco Mundial, comitês estaduais da Reserva da Biosfera da Mata Atlântica e da Amazônia Central, além de técnicos, consultores e ambientalistas.
O Projeto Corredores Ecológicos teve início em 2002, para lidar com a dinâmica de fragmentação florestal e visa a formação e conservação de grandes corredores de biodiversidade, entre as unidades de conservação, terras indígenas e áreas de interstícios.
Dos sete corredores identificados, foram priorizados dois projetos pilotos - o Corredor Central da Amazônia e o Corredor Central da Mata Atlântica.
Balanço
Segundo o coordenador do CCMA/BA, Milson Batista, os desafios são demarcar reservas legais em mais de 310 propriedades, implantar 10 arranjos produtivos, criar mapas de adequação ambiental das propriedades, do uso do solo e das áreas prioritárias para restauração, plantar 183 mil mudas nativas, entre outros.
O representante da KFW no Brasil, Andre Mark Ahlert, mostrou-se satisfeito com os bons resultados apresentados na oficina. “O projeto não apenas conecta áreas e temas, mas faz a relação entre a natureza e o ser humano”. A KFW será um dos principais financiadores do projeto, a partir de dezembro.
A representante do Banco Mundial, Bernadete Lange, salientou que os doadores têm consciência que o projeto está contribuindo para se tornar, de fato, uma política dos governos municipal, estadual e federal e tendo uma grande participação da sociedade civil.
A consultora do projeto do Ministério do Meio Ambiente, Sueli Ota, que fez um levantamento de ações e projetos dos Corredores Ecológicos, destacou que existe muito esforço e trabalho de muitas pessoas, entre técnicos, ambientalistas, comunidade e policiais ambientais. “É desafio de gestão bioregional, onde a intenção é proteger a biodiversidade por meio de ações de diversos setores da sociedade de forma a compatibilizar o uso de recursos sustentáveis”.