O governo baiano tem encontrado na população uma das principais parceiras para o sucesso de suas operações policiais. Dentro do trabalho de conscientização de que segurança é uma obrigação de todos, as denúncias feitas para as centrais 3235-0000 e 190 vêm resultando em investigações, com prisões de quadrilhas, inclusive as que atuam não apenas no estado.
“O Disque-Denúncia (3235-0000) é uma das nossas melhores ferramentas, garantindo que, embora não seja possível ter um policial em cada esquina, podemos contar com o olho de cada cidadão”, afirmou a superintendente do Departamento de Inteligência da Secretaria da Segurança Pública (SSP), Deise Dantas.
De janeiro a setembro deste ano, foram 6.958 denúncias feitas através do 3235-0000 (900 a mais que no ano passado), das quais 4.873 (cerca de 70%) são relativas a tráfico de drogas, seguidas de maus tratos a crianças e adolescentes e, depois, violência sexual.
No caso do Serviço de Emergência Policial (190), foram, em média, 286 mil ligações mensais computadas até o mês passado, resultando em 150 mil ocorrências, a maior parte casos de agressões, incêndios e comunicados de homicídios.
No mesmo período, no caso do Disque-Denúncia, o Serviço de Inteligência também registrou 2.594 denúncias procedentes com resultados. “Trata-se de denúncias que geraram ações policiais onde já foram contabilizados os resultados, com o encerramento das investigações e punição dos envolvidos”, explicou a superintendente.
Investigação
Deise Dantas ressaltou que nem todas as denúncias procedentes com resultados contabilizados de janeiro a setembro deste ano foram feitas necessariamente no período, “porque há investigações que levam, às vezes, mais de um ano para se encerrar, para que se possa chegar à fonte principal do problema, como é o caso do crime organizado”.
Ela disse que, quando se denuncia um ponto de tráfico, por exemplo, muitas vezes é preciso mais tempo de investigação para se identificar toda uma rede, “numa ação policial que vai muito além de chegar lá, apreender a droga e prender aqueles que no momento estão no local denunciado”. Numa avaliação mais geral, a superintendente informou que 35% das denúncias contribuem com operações policiais de grande porte.
O sucesso do Disque-Denúncia, que garante o sigilo total para o colaborador, fez com que a polícia baiana já começasse a planejar o aumento da abrangência do serviço, hoje limitado a Salvador e região metropolitana. “Embora muitas pessoas do interior paguem a ligação interurbana para fazer uma denúncia, a gente acaba encaminhando para as unidades policiais mais próximas da localidade”, declarou Deise Dantas.
Redução dos trotes
Em Salvador e região metropolitana, a ligação do 3235-0000 é tarifada normalmente como local. “Antes, tínhamos vários serviços gratuitos com 0800, mas adotar a medida da simples tarifação, ainda que apenas como ligação local, acabou se tornando fundamental para a redução dos trotes”, informou a superintendente. “Hoje, só liga mais quem tem uma denúncia consistente e está em busca de contribuir com a segurança”, ressaltou.
Com ligação gratuita, até por ser um serviço emergencial, no caso do 190, os trotes representaram este ano 43% das chamadas computadas até setembro. A maior parte deles é feita por crianças e adolescentes.
“Para inibir as brincadeiras indevidas, os projetos da SSP envolvem a realização de campanhas de conscientização nas escolas e investimento em tecnologias mais avançadas de identificação, porque hoje só é possível identificar o número da chamada de origem. Há centrais mais modernas, que, entre outros serviços, informam prontamente o local da ligação”, destacou o secretário da Segurança Pública, César Nunes.
Pronto-atendimento e orientação
Enquanto o Disque-Denúncia é de caráter mais investigativo, o Serviço de Emergência Policial tem, como o nome já diz, uma ação mais imediata, sendo mais solicitado para ocorrências com flagrante, geralmente envolvendo os serviços prestados por quatro instituições da SSP: polícias Militar, Civil e Técnica, além do Corpo de Bombeiros.
“A localização única e a centralização do atendimento das chamadas telefônicas permitem maior agilidade na comunicação das ocorrências e no despacho dos recursos operacionais da polícia, seja no atendimento às demandas de competência de cada órgão, seja naquelas ocorrências de alta complexidade, cuja solução envolve o trabalho conjunto das instituições”, afirmou Nunes.
O 190 e o 3235-0000 são utilizados também com freqüência para orientações. Mesmo o Disque-Denúncia, que é tarifado como ligação normal, registrou de janeiro a setembro deste ano 12 mil ligações, das quais 6.958 foram denúncias. Desde que o 3235-0000 foi criado, em 14 de dezembro de 2005, foram computados 56 mil atendimentos, dos quais 26 mil denúncias.
“No ano passado, foram no mesmo período 15.203 atendimentos para 6.067 denúncias efetivas, o que mostra que a população vem se conscientizando na utilização dos serviços, buscando fazer denúncias cada vez mais consistentes”, disse Deise Dantas.
Tanto para denúncias quanto para orientações, a qualidade dos serviços é reconhecida pelos usuários. “Muitos ligam para agradecer, quando percebem que a denúncia gerou uma ação policial que traz resposta não apenas para quem contribuiu com a ligação, mas para toda a comunidade”, explicou a superintendente.