Conferência discute a trajetória do movimento negro

Publicado: 24/11/2008 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

Maior símbolo da resistência africana à escravidão, o Quilombo dos Palmares chegou a reunir, segundo alguns historiadores, mais de 20 mil moradores, entre escravizados fugidos, índios e brancos. Palmares é a comprovação de que os negros sempre encontraram formas de resistir ao trabalho forçado e às atrocidades cometidas pela escravidão.


Da abolição até os dias atuais, a luta tem sido contínua, tendo como objetivo principal o combate às seqüelas do período escravocrata e pela plena cidadania dos afrodescendentes. Nesse sentido, o movimento negro é responsável por denunciar a inexistência da democracia racial no país e por lutar pela igualdade entre negros e brancos, combatendo o racismo.


Para celebrar as organizações de resistência negra e ressaltar essa trajetória de lutas e conquistas, a Fundação Pedro Calmon realiza na quinta-feira (27), às 17h, no auditório da Biblioteca Pública do Estado (Barris), o ciclo de conferências Memória dos Movimentos Sociais, tendo como tema Movimento Negro na Bahia.


Com entrada gratuita, a conferência integra o Novembro Negro, uma série de atividades que marca o Mês da Consciência Negra. O dia da morte de Zumbi dos Palmares (20 de novembro) é considerado um marco na luta pela igualdade racial.


Para debater sobre a trajetória de lutas e conquistas do movimento negro, participam a militante da União dos Negros pela Igualdade (Unegro), ex-secretária municipal de Educação e atual vereadora de Salvador pelo PCdoB, Olívia Santana, o ex-secretário estadual de Promoção da Igualdade e militante do Movimento Negro Unificado (MNU), o deputado federal Luís Alberto (PT), o fundador do grupo de militância negra Niger Okan, Gilberto Leal, e a educadora Arany Santana, diretora do Ilê Aiyê, criado em 1974 e o mais antigo bloco afro a desfilar no Carnaval de Salvador.


“A importância dessa conferência está justamente em marcar 2008, em que se completam 120 anos da abolição da escravatura, com uma discussão da trajetória do movimento negro, pois tudo que a gente discute hoje sobre o tema se deve, sobretudo, à militância negra”, disse Wlamyra Albuquerque, responsável pela Diretoria de Arquivos da Fundação Pedro Calmon.