O novo modelo de Educação de Jovens e Adultos (EJA), que será adotado na rede estadual de ensio, deixará de focar apenas o currículo convencional para ser construído a partir das necessidades do sujeito, levando em consideração as necessidades e expectativas dele.
Para a Secretaria Estadual da Educação (SEC), a nova metodologia deve tornar o ambiente escolar mais interessante para os estudantes e mais propício ao aprendizado.
Atualmente a rede estadual conta com mais de 220 mil estudantes e 14 mil professores nesta modalidade de ensino. Para colocar em prática a proposta, a SEC já começou a capacitar os professores e deve finalizar o processo antes do início do próximo ano letivo de 2009.
Com uma estrutura curricular diferenciada, o novo projeto de EJA passa a trabalhar por eixos temáticos e geradores ao invés das disciplinas.
“Este é um projeto diferente de todos os outros que já existiram e terá grande impacto. Ele tira do centro do currículo as áreas de conhecimento em prol dos eixos. Dessa forma, o aluno vai perceber que está aprendendo e este aprendizado ajudando a melhorar a sua vida”, explica a coordenação do EJA, Marlene Silva.
Proposta
O novo modelo promove uma aproximação com a educação popular, que é construída pelos populares, levando em consideração a valorização dos seus saberes, na construção do conhecimento.
Ao invés da aula estar centrada no conteúdo convencional dos livros didáticos, o modelo abre espaço para levar para sala de aula experiências de vida e os saberes que os indivíduos adquirem no cotidiano, sem prejudicar o conhecimento formal, que ganha uma nova significação.
Integrando as ações de fortalecimento da modalidade de ensino, a SEC vai fomentar também a construção de um coletivo de Educação de Jovens e Adultos, que vai possibilitar a formação de um quadro capacitado para atuar no setor.
Para o professor do Colégio Estadual Professor Antônio Balbino, em Madre de Deus, Paulo Nunes, a formação dá oportunidade de construir conjuntamente um projeto com um perfil mais humanitário.
“A prática de construção traz uma proposta maravilhosa que aponta mudanças necessárias na metodologia e no conteúdo, visando trabalhar a produção do conhecimento a partir da vontade e da necessidade vivenciada pelo aluno”, avaliou.
Já professora do Colégio Luiz Viana, em Candeias, Joselita de Jesus da Encarnação, considera que este é o primeiro passo para uma maior inserção do aluno. “Os alunos trabalham, têm famílias e chegam cansados à escola. Dessa forma, esperamos despertar um maior interesse”, disse a professora, que destacou a necessidade da gestão escolar estar envolvida para também compreender o processo.