A comunidade do Pelourinho se reúne na manhã desta segunda-feira (10), no auditório Conexão Ipac, Pelourinho, para assistir a apresentação do projeto de urbanização da Vila Nova Esperança, mais conhecida como Rocinha, pelo arquiteto Marcelo Ferraz, do Escritório Brasil Arquitetura.
O evento conta com a participação do secretário de cultura, Márcio Meirelles, o secretário de desenvolvimento urbano, Afonso Florence, o diretor da Dow Química, Marconi Andraos, além de moradores do Centro Histórico e outros parceiros do projeto.
A urbanização da Vila Nova Esperança integra o Plano de Reabilitação do Centro Antigo, elaborado pelo Escritório de Referência, unidade gerencial da Secretaria de Cultura (Secult), para a reabilitação integrada, participativa e sustentável da região, abrangendo os aspectos sociais, econômicos, culturais e urbanísticos.
A vila está localizada atrás da Faculdade de Medicina da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e tem acesso pela rua Alfredo de Brito, uma das principais vias de acesso ao Pelourinho, abrangendo uma área de 10.500 metros quadrados, onde serão construídas 66 unidades habitacionais, que irão favorecer o mesmo número de famílias. Além das casas, a comunidade também será beneficiada com a construção de equipamentos coletivos como biblioteca, cozinha, estúdio multimídia e uma sede do centro comunitário.
Os recursos para a urbanização da Vila Nova Esperança, da ordem de R$ 6,5 milhões, são provenientes do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) do governo federal, em parceria com as secretarias de Cultura (Secult) e de Desenvolvimento Urbano (Sedur), através da Companhia de Desenvolvimento Urbano da Bahia (Conder). A iniciativa privativa também está envolvida no projeto através de empresas multinacionais como a Nestlé, e Dow Química; além da participação da ONG Habitat para a Humanidade.
O projeto de urbanização foi desenvolvido pelo escritório Brasil Arquitetura, com a coordenação dos arquitetos Marcelo Ferraz e Francisco Fanucci, em parceria com a comunidade da Rocinha, que participou de todas as etapas de elaboração. Marcelo Ferraz ressalta a importância de integrar a comunidade à dinâmica do Centro Antigo. "O projeto da Vila Nova Esperança foi desenvolvido e pautado no diálogo com a comunidade e espero que atenda às expectativas. Não queremos que a Rocinha continue sendo um gueto, e sim uma parte integrada ao Centro Histórico", declarou.
Para o secretário de comunicação e cultura do conselho cultural dos moradores da Vila Nova Esperança, Ednaldo Sá, há tempos a comunidade espera por essa conquista. "Há dois anos, estamos construindo esse processo em parceria com o Estado, e o projeto da Rocinha é um exemplo de que o governo está tendo um novo olhar para a comunidade do Centro Histórico. Mas essa é apenas uma etapa, já que após a entrega das unidades, os moradores irão administrar os equipamentos e aprender a caminhar com as próprias pernas", destacou.
"Vamos aproveitar a mão de obra da própria comunidade na construção da nova Vila Esperança, e uma de nossas principais preocupações é capacitar os moradores para que eles possam preservar e cuidar desse espaço com dignidade", afirmou o secretário de Cultura, Márcio Meirelles.
Também será apresentado o termo de compromisso, documento que tem como objetivo estabelecer normas de ordem pública e de interesse social e uma forma de garantir a permanência dos moradores que forem remanejados e garantir a sustentabilidade do projeto. As obras estão previstas para iniciar em abril de 2009.