Agentes voluntários vão atuar em defesa do meio ambiente no extremo sul

19/12/2008

Após aproximadamente 10 meses de trabalho, o programa Agentes Voluntários das Águas, desenvolvido pelo Instituto de Gestão de Águas e Clima (Ingá), autarquia da Secretaria do Meio Ambiente (Sema), concluiu os trabalhos de preparação de 41 voluntários de seis comunidades tradicionais para atuar na proteção, recuperação e uso sustentável dos recursos hídricos dos municípios de Eunápolis, Porto Seguro e Santa Cruz de Cabrália.


A partir de março de 2009, os voluntários, formados por indígenas, estudantes, pescadores, agricultores, artesões, garçons, guias de turismo e professores começam a desenvolver nas comunidades, ações de fortalecimento às operações de fiscalização ambiental, educação ambiental, recuperação dos rios e das matas ciliares. Eles também multiplicarão os conhecimentos sobre a importância do cuidado com as águas para as atuais e futuras gerações, adquiridos durante as oficinas preparatórias do programa.


Todas as ações planejadas para o próximo ano, foram construídas no encerramento das atividades de 2008, com a “Reunião para Construção do Plano de Ação dos Agentes Voluntários das Águas (AVA) do Extremo Sul”, evento encerrado em Porto Seguro, no dia 15 deste mês.


Em torno de 70 pessoas, entre agentes voluntários, técnicos do Ingá, líderes comunitários, educadores e o Grupo Gestor (formado por representantes de 30 instituições governamentais e não-governamentais que apoiarão os projetos dos agentes voluntários), se reuniram para traçar coletivamente o plano de ação do projeto.


A elaboração do plano foi a terceira e penúltima etapa do programa. A primeira foi a realização do diagnóstico socioambiental, processo pelo qual foram selecionados os agentes. A segunda fase foi marcada pela capacitação dos grupos de voluntários, que contam com pessoas de 18 a 60 anos.


“As pessoas manifestam, com entusiasmo, a vontade de participar. Os voluntários têm a necessidade de estar preparados para resolver as questões relacionadas ao meio ambiente e serem protagonistas do seu meio”, explica José Augusto Tosato, da Diretoria Socioambiental Participativa do Ingá.


Pataxó da aldeia de Coroa Vermelha, Capimbará, 46 anos, é ativista ambiental em sua comunidade. Ele confessa que a oportunidade de fazer parte do AVA lhe deu mais munição para mostrar ao seu povo o quanto é importante a preservação dos recursos naturais.


“O futuro de todo mundo passa pela preservação da água, das matas e de tudo que a natureza oferece. Levar esses conhecimentos às comunidades é muito importante, principalmente por ser uma iniciativa de governo. O futuro é a água e nosso papel é conscientizar as comunidades, os fazendeiros e toda a sociedade”, diz Capimbará.


Celebração


Segundo a coordenação de Educação Ambiental da instituição, Maria Henriqueta Andrade, a partir do plano de ação, com os compromissos pactuados com o grupo gestor, os agentes voluntários passam a atuar de forma independente na defesa dos recursos ambientais, com os membros das suas comunidades.


Nas ações do programa no extremo sul, o Ingá atuará agora apenas como membro do grupo gestor. Os grupos de voluntários se reunirão trimestralmente para construir uma interdisciplinaridade entre as ações. Já com os grupos gestores, os encontros serão semestrais.


A cacique Pataxó da Aldeia Juerana, Das Dores, demonstrou entusiasmo com a atuação do AVA na sua tribo. “Por meio deste programa, descobrimos muitas coisas interessantes nos nossos jovens. Ele fez aflorar potencialidades, como a capacidade de criar e construir, que até eu, como cacique, não havia percebido”, afirma a Pataxó.


Das Dores participou do ritual sagrado durante o encerramento das atividades de 2009 do AVA da bacia do extremo sul. Após as orações, realizadas por todas as tribos presentes, todos se juntaram para participar do “toré”, que é uma dança indígena de celebração.


Construção coletiva


O agente voluntário trabalha com a perspectiva do atendimento às necessidades e soluções dos problemas das comunidades. É um programa que comunga com as atividades cotidianas das pessoas, com ênfase na construção coletiva.


A essência do Plano de Ação é o desejo dos agentes e das comunidades. “Eles elaboram aquilo que consideram melhor para os seus territórios”, explica Henriqueta Andrade.


“Eu considero a dinâmica deste programa pioneira. O AVA vai na base e consegue envolver as pessoas. Os técnicos do Ingá trabalham com sensibilidade para ouvir e construir junto com as comunidades”, elogia a educadora ambiental e membro da ONG Rede de Educadores Ambientais da Bahia (Reaba), Miriam Silva. A Reaba faz parte do Grupo Gestor do programa.


A partir de março, o Ingá dará prosseguimento às atividades da região oeste. Lá, já foram mobilizados aproximadamente 450 pessoas, entre 26 instituições governamentais e não-governamentais, e representantes de 16 comunidades tradicionais, como quilombolas, fundo de pasto, feixes, brejeiros, entre outras, de localidades como Santa Maria da Vitória, Correntina e São Félix do Coribe.


O diagnóstico do oeste foi apresentado em dezembro para cem pessoas, que estiveram presentes na oficina de apresentação de resultados preliminares. Na ocasião, foram apresentados os 50 futuros Agentes Voluntários das Águas, identificados nas comunidades envolvidas. O programa tem o apoio do Fundo Nacional de Meio Ambiente, do Ministério do Meio Ambiente.