Controle biológico de pragas da fruticultura é intensificado

10/12/2008

A Agência Estadual de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), órgão ligado a Secretaria de Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), em parceria com a Biofábrica Moscamed e os produtores, inicia no próximo ano a liberação oficial de insetos estéreis nas plantações de manga nos municípios de Dom Basílio, Rio de Contas e Brumado. As áreas compõem o Pólo Frutícola de Livramento de Nossa Senhora, segundo maior produtor de manga do estado, a 720 quilômetros de Salvador.


O trabalho está inserido no Programa de Controle de Moscas-das-Frutas, que tem como finalidade combater pragas que atacam os pomares de manga, mamão e videiras da Bahia, eliminando as restrições fitossanitárias que venha a prejudicar a fruticultura do estado.


A Bahia é a única a desenvolver o uso da técnica de insetos estéreis e a Adab é pioneira na implantação de um laboratório para atuar no controle de moscas. O diretor geral da Adab, Cássio Peixoto, afirmou que no primeiro trimestre de 2009 será lançada oficialmente, em Livramento, a primeira área a utilizar o controle biológico. “Os mercados estão cada vez mais exigentes e a técnica proporciona a redução do uso de agrotóxico”, explica.


Peixoto acredita que o aumento nos cuidados fitossanitários irá estimular a exportação das frutas para países como Estados Unidos e Japão. Ele afirma que a uso do inseto estéril vai garantir maior qualidade aos produtos.


A produção de insetos não visa só o mercado nacional. O objetivo da Adab e da Biofábrica é exportar o modelo para Israel, em 2009. O diretor geral da agência explicou ainda que os cuidados com a fitossanidade se devem também ao fato do Japão ser um mercado muito exigente com os produtos de origem vegetal que importa. O inseto só é considerado praga quando existe em grandes populações nas plantações. Para combater a infestação, os machos recebem uma dose de cobalto e com isso se tornam estéreis e são liberados na natureza a fim de combater o problema na manga, mamão e uva.


O Programa de Controle de Mosca-das-Frutas foi iniciado pelo estado em 1991, por meio do Instituto Biológico da Bahia, e posteriormente, com a criação da Adab foi introduzido nas ações de defesa agropecuária do estado. A eliminação de restrições engloba ações como armadilhas, monitoramento, treinamentos de pessoal, capacitação e educação sanitária. O engenheiro agrônomo e coordenador do Programa Moscas-das–frutas, Raimundo Sampaio, disse que semanalmente são liberados em caráter experimental na região de Livramento cerca de dois milhões de insetos. As moscas são soltas nas regiões de baixo índice populacional de moscas selvagens.


Entre as formas de manejo de praga se destaca o Sistems Approac. Ele reduz o uso de agrotóxico e garante uma segurança para viabilizar a comercialização e exportação de mamão. O sistema diminui a perda de produtividade na medida em que aumenta a qualidade do fruto, reduz os impactos ambientais e prejuízos à saúde humana.


Na Bahia, responsável por 55% da produção nacional do mamão, a fruta é cultivada de forma predominante no Extremo Sul baiano, com destaque para as cidades de Teixeira de Freitas, Eunápolis, Porto Seguro, Itamarajú e Mucuri. O segundo maior produtor é o Oeste do estado, com plantações nas cidades de Bom Jesus da Lapa, Santa Maria da Vitória, Correntina e São Félix.


A técnica do uso de insetos foi iniciada na década 60, nos Estados Unidos, após a erradicação da mosca varejeira nos EUA, México e toda América Central. Para combater a mosca-das-frutas, os insetos começaram a ser usados na década de 70, no México, e posteriormente na Guatemala e nos Estados Unidos. No Brasil, começou a ser usado em 2005, com a instalação da Biofábrica Moscamed. A entidade atua nos pólos de fruticultura irrigada de Juazeiro, Livramento de Nossa Senhora e em Petrolina, no estado de Pernambuco.


Em 2008, a produção de manga foi de 1,11 milhões de toneladas, o equivalente a 51% da safra nacional. O diretor executivo da Biofábrica, Jair Virgílio, disse que além de reduzir a devastação que as pragas causam nas plantações, o que se espera com a exportação do modelo é uma diminuição do uso de agrotóxicos. Ele disse que hoje o produtor do Vale do São Francisco já se preocupa com o mercado internacional. A região é a maior exportadora de mangas frescas do Brasil, 93% da fruta que é vendida para outros países saem do Vale. A região também se destaca pela exportação da uva, que é usada na fabricação do vinho de mesa, com 98% de sua produção destinada ao mercado externo.


Hoje, Livramento tem 90% de sua área produtiva explorada pela agricultura familiar. Desde quando foi instalada a primeira área de liberação de insetos estéreis na região, como projeto piloto, já foram soltas 22 milhões de moscas.