GABRIEL CARVALHO
DE RECIFE
A crise econômica mundial dominoua nona edição doFórum de Governadores do Nordeste, nesta terça-feira (2), em Recife. O encontro reuniu na capital pernambucana, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, o governador da bahia, Jaques Wagner, os chefes do Poder Executivo dos outros oito estados da região, mais os governadores Aécio Neves (Minas Gerais) e Paulo Artung (Espírito Santo), além de 11 ministros de Estado, entre eles Dilma Roussef, da Casa Civil, Luiz Barreto, do Turismo e os baianos Juca Ferreira, da Cultura e Geddel Vieira Lima, da Integração Nacional.
Em pronunciamento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assegurou a manutenção dos investimentos públicos no Nordeste e no restante do país, sobretudo os projetos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), da Petrobrás, como as construções de refinarias em estados nordestinos e da indústria Naval.
Tanto o presidente quanto a ministra da Casa Civil, Dilma Roussef, acreditam que a manutenção de postos de trabalho e o fortalecimento do setor produtivo são essenciais para que o país sinta em menor teor, os efeitos da crise econômica mundial. Para Dilma, o Brasil tem bons instrumentos para enfrentamento da turbulência dos mercados, uma vez que não recorreu ao Fundo Monetário Internacional (FMI), "o que deixou o país em uma situação mais privilegiada".
Na opinião da ministra da Casa Civil, alguns países emergentes, como o Brasil, devem sofrer desaceleração econômica sem entrar em recessão, "como já vinha acontecendo com China e Índia". Para ela, o país deve terminar 2008, com um saldo de 2,1 milhões de empregos gerados, "uma vez que estava com a inflação sob controle, tinha bons níveis de reserva e situação fiscal equilibrada".
Lula, por sua vez, disse que é preciso fomentar o crédito e pediu que os governadores nordestinos façam como o governo federal. “É preciso também que vocês adiem a cobrança do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS) como forma de reforçar o caixa das pequenas e médias empresas neste momento de crise financeira mundial”.
Ele também defendeu que os chefes dos executivos saiam para vender a imagem de seus estados no exterior e adquiram novos investimentos.
Seguindo essa cartilha, o Governo do Estado anunciou nesta segunda-feira, aporte financeiro de R$ 110 milhões para o setor produtivo baiano, sendo que a maior parte - R$ 80 milhões - foi destinada para o pólo de informática de Ilhéus.
Somente no período da crise, deflagrada com maior intensidade no final de setembro, o governo da Bahia garantiu investimentos superiores a R$ 5 bilhões com os anúncios da implantação do pólo naval, no Recôncavo, a duplicação de uma fábrica de celulose, no Extremo Sul e a implantação de uma fábrica de cd's e dvd's, além de uma unidade da Pepsi Company, em Feira de Santana.
Campanha estimula o turismo no Nordeste
Após as boas vindas do governador de Pernambuco e anfitrião do IX Fórum de Governadores do Nordeste, Eduardo Campos, o ministro do Turismo, Luiz Barreto, apresentou o conteúdo da campanha de incentivo ao turismo interno para a região.
Segundo ele, o mercado nacional deve crescer com a redução das vendas dos pacotes de viagens ao exterior, motivada pela crise econômica mundial. "Estamos apostando no turismo interno, principalmente na região Nordeste, que conta com inúmeros atrativos", conta.
Dentro do planejamento para o setor, segundo Barreto, estão o reforço no receptivo dos aeroportos dos nove estados nordestinos e a exposição, nos próprios aeroportos, de um rico material fotográfico que será exibido nos locais de embarque e desembarque. "Isso foi possível porque a Infraero - empresa que administra os terminais - cedeu os espaços para a divulgação dos estados como destinos turísticos, o que permitiu uma economia de R$ 2 milhões, com os custos de veiculação", conta.
Para o ministro, o estímulo ao turismo interregional é uma das principais apostas para a temporada de verão em 2009. "E não só para as viagens aéreas, mas também queremos alavancar o turismo terrestre, pois o governo federal está investindo pesado em infra-estrutura na região", disse em referência ao aporte de R$ 2 bilhões para o setor no Nordeste.
Barreto também destacou o Nordeste como pólo de atração de investimentos brasileiros e estrangeiros e citou como exemplo, a recente inauguração da nova ala do Hotel Iberostar, em Praia do Forte.
Já os secretários da Cultura nordestinos discutiram a formulação de um plano único para o setor na região.
Segundo o titular da pasta da Bahia, Márcio Meirelles, um documento com as metas foi elaborado e entregue aos governadores de cada estado e ao ministro Juca Ferreira (Cultura), que também participou do fórum em Recife. "O plano prevê a estruturação do Nordeste enquanto pólo cultural e investimentos na criação de indústrias criativas e fortalecimento dos sistemas estaduais de cultura, assim como a formação de técnicos e gestores para o setor", contou Meirelles.
Unicef entrega selo a municípios que avançaram nos indicadores sociais
Antes do encerramento do encontro, prefeitos de 33 municípios do semi-árido baiano receberam o selo do Fundo das Nações Unidas para a Infância (Unicef). O projeto tem como objetivo a avaliação do desempenho no fortalecimento dos programas e das políticas públicas para a infância e a adolescência na região.
Os participantes passaram por uma rigorosa avaliação de indicadores sociais. Entre as cidades que mais avançaram nos indicadores sociais estão Senhor do Bonfim, Amargosa, Livramento de Nossa Senhora, Poções e Valente.
Muitos dos municípios que conquistaram o Selo Unicef implementaram políticas públicas em parceria com o governo do Estado como a execução de programas como o Todos Pela Alfabetização (Topa) e Água para Todos.
Para o coordenador do Unicef para Bahia e Sergipe, Rui Pavan, essa articulação dessas políticas é essencial para o desenvolvimento social nessas localidades. “O semi-árido não é parte dos problemas da Bahia, mas sim parte da solução dos problemas existentes no estado”.