Mais de 200 índios kaimbés, além de representantes de órgãos federais, estaduais, municipais e universidades, participaram esta semana do 1º Fórum Kaimbé de Diretrizes de Políticas Públicas para Sustentabilidade Ecossociocultural do Território, localizado no município de Euclides da Cunha, norte do estado.
“Não quero mudanças que agridam meu povo, só almejo benefícios para minha gente. A água faz parte da mãe natureza, gera equilíbrio para o planeta e seu uso precisa ser discutido”, afirmou Juvenal Fernandes, cacique da aldeia há 21 anos, referindo-se à importância em preservar o Rio Itapicuru, que corta área e é fonte de subsistência do povo kaimbé. “Queremos evoluir, só que preservando nossos costumes, nossas tradições”, destacou.
O evento é resultado da parceria firmada, em outubro deste ano, entre a Secretaria do Meio Ambiente (Sema) e a organização não-governamental Instituto Regional da Pequena Agropecuária Apropriada (Irpaa). Foram discutidos os planos e as diretrizes para orientar as políticas públicas e gestão do uso da água, aliados à preservação e defesa dos recursos hídricos.
O fórum foi dividido em seis grupos de trabalho, que debateram temas como gestão das águas, matas ciliares, plantas nativas, animais silvestres, agricultura e ambiente. Nessa atividade, os kaimbés identificaram e apresentaram soluções para os problemas enfrentados pela comunidade no dia-a-dia.
De acordo com o coordenador do Irpaa, Moacir Santos, o encontro colocou em pauta reivindicações de um dos povos indígenas da Bahia. “Por meio das diretrizes discutidas estamos construindo uma educação cidadã, onde as soluções são propostas pela própria comunidade. Essa iniciativa precisa se expandir a todos os 14 povos indígenas do estado”, defendeu.
Propostas
Segundo o coordenador de Educação Ambiental da Sema, Rodrigo Pacheco, o próximo passo é a elaboração de um documento contendo as reivindicações e as soluções propostas pela comunidade, que será encaminhado aos órgãos do governo envolvidos. “A expectativa é que, em dois anos, as propostas apresentadas já estejam implementadas no povoado”, informou.
Um dos problemas enfrentados pela comunidade é a caça predatória de animais silvestres. O cacique Gregório Santos, enfatizou que a comunidade vive basicamente da caça dos animais para se alimentar. Por isso, os índios não podem deixar que eles desapareçam e nem ficar sem água para beber.
As atividades do segundo dia de fórum foram encerradas com a celebração de uma dança ritualística dos kaimbés, acompanhados por um grupo musical formado por jovens índios do povoado.
Bruno Ferreira, 23 anos, é um dos componentes do grupo. Hoje ele toca zabumba nas festas religiosas da aldeia, além de ser secretário da escola do povoado. “Meu sonho é estudar e aprender cada vez mais, para ajudar o meu povo. Não quero sair daqui, só resgatar as crenças e costumes da minha gente”, disse.