Preparativos prometem Lavagem do Bonfim tranqüila e animada

13/01/2009

A Conceição da Praia é onde tudo começa. Concentrados em frente à quadricentenária igreja erguida em pedra de lioz entre os séculos 17 e 18, moradores e visitantes de Salvador dão início à longa caminhada de fé e devoção logo no começo da manhã.


Para garantir a segurança da maior festa popular da Bahia, depois do Carnaval, a PM baiana montou uma grande estrutura no início, meio e fim do percurso, com praticáveis e barreiras. Um efetivo de 2.533 militares estará distribuído nos quase 8 quilômetros que separam a igreja de Nossa Senhora da Conceição da Praia da igreja de Nosso Senhor do Bonfim. O que deve garantir mais tranqüilidade logo na saída do cortejo, formado por cerca de 500 baianas em típicos trajes brancos, cor do orixá Oxalá, divindade do Candomblé que na Bahia é mimetizado com o santo católico.


Tradicionalmente, o funcionalismo público estadual participa da Lavagem do Bonfim acompanhando o cortejo organizado pela Bahiatursa, que este ano será animado pelas banda de sopro Jurema e Filarmônica de Fred Dantas, além da presença de integrantes do bloco Filhos de Gandhi. Segundo a presidente do órgão oficial de turismo, Emília Salvador Silva, nesse cortejo devem seguir cerca de 2 mil servidores públicos, inclusive o governador Jaques Wagner.


“Estamos trabalhando para manter as nossas tradições históricas e culturais e resgatar uma festa mais tranqüila, mais segura e mais animada, com maior número de turistas e baianos”, diz Emília, lembrando que a Delegacia de Atendimento Especializado ao Turista (Deltur estará de plantão no número 3116 – 6817.


Milhares de pessoas são atraídas para a caminhada da devoção ao Senhor do Bonfim, iniciada há 255 anos, até o alto da colina sagrada onde tudo está sendo cuidadosamente preparado. Trabalhadores capricham na última mão de tinta do muro no entorno da igreja e montam estruturas de apoio ao trabalho das equipes de saúde e da imprensa que faz a cobertura da festa.


Após a lavagem das escadarias do templo, que na quinta-feira fica fechado, começa a parte de lazer da festa, com muita comida e bebida oferecidas nas mais de 80 barracas padronizadas, onde deverão trabalhar mais de mil pessoas licenciadas para esse fim.


Turistas e ambulantes esquentam comércio religioso


Com a igreja lotada de fiéis e turistas nos 9 dias de missa que antecedem a lavagem das escadarias, os ambulantes reforçam o estoque de mercadoria e esquentam as vendas, fazendo da festa uma maneira de complementar a renda.

“Esse ano eu tenho fé que vou vender o dobro dos outros anos”, fala Valdete de Jesus, em meio a um grande sorriso na banca reforçada com figas, santinhos, pulseiras, colares e a imbatível fitinha do Bonfim.


Somente o fazendeiro goiano Anísio Favoretto comprou centenas delas para distribuir entre seus funcionários. “A maioria dos peões é do Nordeste, principalmente da Bahia, e eles adoram a lembrança”, afirma o fazendeiro que é devoto de Nossa Senhora Aparecida, mas que não descrê do Senhor do Bonfim. “Quando venho à Salvador, me apego à ele”, garante.


Surgida em 1809, a fitinha tem 63 centímetros que simbolizam o comprimento entre as chagas do peito à mão esquerda do santo católico. Diz a lenda religiosa que ao amarrá-la no pulso, deve-se fazer 3 pedidos ao santo. Se ela romper, significa que os pedidos foram atendidos. Originalmente feita em algodão, a “medida” do Bonfim passou a ser confeccionada em material sintético, muito mais difícil de ser rasgado.