A repercussão da vida e obra do poeta baiano Antônio Frederico de Castro Alves, já extrapola os limites da Bahia desde a sua morte prematura, em 1871, aos 24 anos de idade. Caravanas de associações literárias, pesquisadores e apreciadores da obra do poeta baiano visitam o local de seu nascimento todos os anos, para homenagens póstumas, pesquisas e novos debates sobre os seus escritos.
A proposta de um evento de magnitude nacional para comemorar o aniversário do poeta, no próximo ano, é do Secretário de Cultura da Bahia, Márcio Meirelles. A sugestão foi feita durante a solenidade promovida pela Secretaria da Cultura (Secult), no Parque Histórico Castro Alves (Phca) que é de propriedade do Estado e administrado pela Diretoria de Museus (Dimus) do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac).
A excelente infraestrutura do parque que leva o nome do poeta, localizado na fazenda em que nasceu, no dia 14 de março de 1847, no município de Cabaceiras de Paraguassu, região do Recôncavo baiano, atrai visitantes e desperta grande interesse pela obra de Castro Alves.
O parque, que abriga o acervo de 360 objetos doados pela família de Castro Alves e está a 160 km da cidade de Salvador, é um dos 13 museus e espaços artístico-culturais administrados pelo Ipac.
Segundo o diretor geral do Instituto, Frederico Mendonça, já em 2007, o parque passava por obras prediais e de infraestrutura com investimento do governo estadual. “O museu foi construído na fazenda da família de Castro Alves, como uma réplica da casa onde ele nasceu baseado em fotos antigas”, explica Mendonça. Instalado em uma área de 52 mil metros quadrados, o Phca é composto por um casarão, onde funciona o museu, e mais quatro anexos.
O parque tem, ainda, o auditório Pedro Calmon com capacidade para 100 pessoas, a casa da administração e a biblioteca que, hoje, serve a toda cidade. O último anexo é o prédio da Escola Edivaldo Boaventura de ensino fundamental administrada pela Secretariada Educação.
A intenção de Meirelles é que todos os anos, no dia do aniversário de nascimento do poeta baiano, outras instâncias dos poderes públicos municipais, estaduais e federal possam realizar parceria maior para comemorar, nacionalmente, esse dia. “Já realizamos concursos de poesia, disponibilizamos biblioteca para estudantes e oferecemos o parque para todos os municípios vizinhos, mas, a idéia é ampliar esse evento para propor ações educativas, artísticas e culturais de longa duração”, diz Meirelles.
Castro Alves pertenceu à Terceira Geração da Poesia Romântica (Social ou Condoreira), caracterizada pelos ideais abolicionistas e republicanos, sendo considerado a maior expressão da época. Suas poesias são marcadas pela crítica à escravidão, motivo pelo qual é conhecido como Poeta dos Escravos. Entre suas obras mais conhecidas, estão Espumas Flutuantes, Gonzaga ou A Revolução de Minas, Cachoeira de Paulo Afonso, Vozes D'África e O Navio Negreiro.