Bairro formado por ruas que têm nome de novelas, como Selva de Pedra e Roque Santeiro, a comunidade de Gabriela III, em Feira de Santana, passou a contar, desde a última sexta-feira (27), com um Centro Digital de Cidadania, do Programa Cidadania Digital, de inclusão sociodigital do governo do Estado. Com a nova unidade, Feira de Santana passou a contar com 34 CDCs.
Um dos mais entusiasmados com o Centro Digital da comunidade de Gabriela III foi o estudante da 5ª série Jônathas Xavier, 11 anos, que usava o computador esporadicamente na casa de uma prima. Jônathas disse que passará a frequentar o CDC para fazer pesquisas escolares e também, como todo jovem da sua idade, para se divertir nos jogos eletrônicos, todos eles educativos.
O presidente da Associação Comunitária Gabriela III, Adriano Rafael dos Santos, recebeu o CDC “com uma alegria indescritível e observou que a unidade será usada em cursos de informática para jovens carentes e na capacitação da mão-de-obra. Já a agente de saúde da Prefeitura de Feira de Santana, Sandy Paixão, que também não tem computador e era obrigada a pagar pelo acesso à internet, achou o programa Cidadania Digital “muito interessante, por democratizar o acesso e o uso do computador”. Ela disse que vai poder aprofundar suas pesquisas na área de saúde, sobretudo a respeito das endemias, sem gastar um tostão.
O novo CDC foi inaugurado pelo secretário estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação, Ildes Ferreira, em um local que também homenageia um sucesso da teledramaturgia brasileira: Rua Vale Tudo, nº 119. A inauguração fez parte das comemorações do Dia da Inclusão Digital, celebrado no último sábado (28).
“Não estamos apenas implantando os centros, mas também fomentando a apropriação deles pelas comunidades, focando em ações de capacitação e oferta de serviços”, observou o secretário Ildes Ferreira, que também citou que este esforço está tirando a Bahia da incômoda 20ª posição no ranking da inclusão digital entre os estados brasileiros.
Centros inaugurados em outros municípios
Neste final de semana também foram inaugurados CDCs em Santa Rita de Cássia (região Oeste), na Secretaria Municipal de Saúde; Queimadas (Nordeste), na Associação dos Moradores e Produtores de Riacho da Onça; Salvador, na Delegacia da Mulher; Distrito de Igara, em Senhor do Bonfim (Norte); Correntina (Oeste) e Iaçu (Paraguaçu).
O Cidadania Digital é coordenado pela Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), e foi contemplado, em 2008, com o prêmio “A Rede”, como melhor programa estadual de inclusão digital do Brasil. Foi o segundo prêmio de relevância nacional conquistado pelo Cidadania Digital, em dois anos. Em 2007, o programa venceu o “Top Social”, considerado um dos mais importantes prêmios de responsabilidade social do Norte e Nordeste.
Na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) de 2006 do IBGE, a Bahia estava em 20º lugar em acesso à internet entre os estados brasileiros, com 87% de excluídos digitais, realidade que já muda com o trabalho do poder público. Uma rede de mais de 700 Centros Digitais de Cidadania, presentes em 400 municípios da Bahia é responsável por 700 milhões de acessos desde 2007.
O Cidadania Digital tem como foco a inclusão sociodigital e, para isso, foram implementadas ações de capacitação, cidadania e novas possibilidades de renda para as comunidades envolvidas. Além de fomentar o uso dos CDCs existentes pela população, a Secti está ampliando a rede de centros, contemplando bairros periféricos, assentamentos rurais, comunidades de quilombolas, afrodescendentes e indígenas. Cada CDC é equipado com dez computadores, impressora e internet banda larga.
O principal público beneficiado pelo Programa de Inclusão Sociodigital é de baixa renda. Dados do Sistema de Cadastro do Cidadão apontam que quase 90% dos usuários têm renda familiar de até dois salários mínimos. O sistema de cadastro também revela que os jovens são o público prioritário do Cidadania Digital: 67% dos usuários têm até 21 anos de idade e 93% do público frequenta escola pública.