Cientistas e planejadores urbanos do Brasil, inclusive da Bahia, da Europa, da Rússia, Portugal e Hong Kong, dentre outros países, retomam até 15 deste mês, nas universidades de Kassel e Freiburg, na Alemanha, a discussão dos estudos até agora desenvolvidos para uma melhor compreensão dos impactos das cidades sobre a mudança climática global. Será a segunda reunião de trabalho do projeto Clima Urbano, Planejamento Urbano e Mudanças Climáticas.
Eles participam como parceiros docentes e pesquisadores da Universidade Federal da Bahia (Ufba) e da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e também da Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), que será representada pela sua diretora de Fortalecimento Tecnológico e Empresarial, Telma Côrtes.
O Projeto de Cooperação Bilateral Brasil-Alemanha visa desenvolver metodologias e procedimentos comuns a países europeus e ao Brasil para a medição de dados climáticos e verificação das condições de qualidade físico-ambiental de espaços intra-urbanos. O encontro discutirá ainda as possíveis mudanças climáticas decorrentes da urbanização em um horizonte de 20 anos.
Os recursos são originários do Conselho Nacional de Pesquisa Científica (CNPq), que investiu R$ 300 milhões, e do Órgão de Fomento da Alemanha, que aplicou 500 milhões de euros no projeto.
Estudos em parceria
Além da representante da Secti, participam da segunda reunião de trabalho pesquisadores do Laboratório de Conforto Ambiental da Faculdade de Arquitetura e o Mestrado em Engenharia Ambiental Urbana da Escola Politécnica, ambos da Ufba, que vêm realizando estudos sobre o clima urbano desde 1995, em parceria com a Universidade de Kassel.
“Em todo o mundo, a pesquisa sobre o clima urbano mostra que as mudanças na paisagem acarretadas pela urbanização afetam o balanço local de energia, provocando alterações no clima local e que se pode apontar como principais fenômenos resultantes a formação da ilha de calor urbana, a concentração de poluição no ar e a ocorrência mais freqüente de episódios climáticos severos”, explicou Telma Côrtes.
Já a professora e pesquisadora do Laboratório de Conforto Ambiental da Faculdade de Arquitetura da Ufba, Tereza Moura, observou que a quantidade de energia usada nas grandes cidades transforma as áreas urbanas nas maiores fontes indiretas de produção de gases causadores do efeito estufa.
Crescimento das populações urbanas
Além disso, segundo as duas representantes da Bahia, o rápido crescimento das populações urbanas, principalmente nos países em desenvolvimento, provoca uma pressão cada vez maior sobre o sítio natural.
“Estudos realizados com séries climáticas dos últimos 100 anos da rede meteorológica mundial sugerem que o incremento médio observado na temperatura do planeta tem como uma de suas causas a urbanização”, disse Telma Côrtes.