Projeto leva música erudita a Cajazeiras VII

Publicado: 24/03/2009 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

Um projeto inédito das Voluntárias Sociais da Bahia (VSBA), em parceria com a Secretaria da Cultura, vem promovendo uma nova forma de assistência às associações de bairros carentes de Salvador. Batizado de Cultura, Arte e Lazer na Comunidade pela Paz, o projeto une o atendimento de necessidades materiais das associações comunitárias à democratização do acesso à música de concerto.


Nesta terça-feira (24), mais uma edição do projeto aconteceu na Associação Beneficente Evangélica de Cajazeiras (Asbec), em Cajazeiras VII. Instalada em uma construção acanhada, com pouca ventilação e cobertura com telha de amianto, a entidade acolhe cerca de 150 crianças de 2 a 9 anos, filhos de pais carentes, moradores do bairro. Lá elas se alimentam, dormem, brincam e aprendem desde cuidados básicos de higiene até o conteúdo do 4º ano do ensino fundamental.


A presidente da Asbec, Solange Rocha recebe as assistentes sociais das VSBA e pergunta logo quando vai receber a sopa para distribuir às crianças. Solange explica que já se cadastrou no programa Nossa Sopa, coordenado pelas Voluntárias e que, além de alimentos, a associação precisa de outras coisas. “Eu fui pedir apoio porque aqui falta colchão, fogão, cadeiras. Atendemos crianças muito carentes, com pais desempregados e doentes, que não têm onde passar o dia com o mínimo de dignidade”, diz.


Em meio ao barulho da TV, das crianças e das mães que foram convidadas para uma tarde surpresa, chegam os cinco músicos da Orquestra Sinfônica da Bahia (Osba). O quinteto de metais integra o projeto Cameratas da Osba cujo objetivo é divulgar a música erudita, com apresentações em espaços alternativos, como hospitais, escolas, igrejas e associações de bairros. O convite da VSBA para fazer parte do projeto Cultura, Arte e Lazer na Comunidade pela Paz veio ao encontro dos anseios dos músicos.


“É papel do músico de uma orquestra estadual levar a música de concerto aonde o povo está, porque nunca teve a chance de ouvir num teatro. E assim também formamos novas plateias”, fala Joatan Nascimento.


O show começa e o barulho dá lugar ao silêncio da platéia e aos agudos e graves dos metais. Quase 60 mulheres lotam o espaço, disputado também pelas crianças. Peças de Wolfgang Amadeus Mozart, Georges Bizet e Ari Barroso são executadas, após explicações sobre o compositor e sua obra. O público é atento e nem percebe que o o tempo, 45 minutos de apresentação, já passou.


“Foi muito bom, nunca tinha ouvido antes. Só vi na televisão, porque nunca fui ao teatro em minha vida”, diz Maria Alda, 45 anos.


Logo em seguida, as mães também ganharam kits de beleza, com maquiagem, escova, pentes e espelho. Foi uma tarde muito prazerosa, inesquecível”, falou Jéssica Matos, outra jovem mãe da creche, demonstrando que nem sempre onde há carência material também falta sensibilidade para apreciar a arte.