O governo do Estado tem feito diversas ações em parceria com o governo Federal de enfrentamento à crise econômica. Entre elas, a renegociação do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS), a manutenção dos investimentos em infraestrutura e a reestruturação da carreira dos servidores públicos foram destacadas pelo governador Jaques Wagner, em entrevista durante a sua participação no 8º Fórum Empresarial e 2º Fórum de Governadores, sábado e domingo passados (18 e 19), na Ilha de Comandatuba, Sul da Bahia.
Jaques Wagner explicou que o governo estadual também tem mantido com o empresariado uma relação transparente e objetiva, com a finalidade de buscar investimentos para a Bahia. “A obrigação do governo é facilitar e preparar o estado para que os empresários possam gerar desenvolvimento econômico com inclusão social e geração de emprego”, afirmou o governador, que nesta segunda-feira (20), segue para Índia, a fim de atrair novos investimentos para a Bahia, como forma de enfrentar a crise econômica mundial. A missão comercial ainda segue para a Inglaterra, Holanda e França, onde serão articuladas novas parcerias comerciais nas áreas de turismo, tecnologia e geração de energia.
Ainda durante o evento, o governador pediu para que o equilíbrio permeasse as decisões de empresários e governadores nas questões da sustentabilidade. "O equilíbrio é a palavra chave de sustentabilidade e é isso que estou tentando fazer nesta gestão. Tenho certeza que com criatividade, muito trabalho e seriedade sairemos fortalecidos desta crise.”, afirmou.
Efeitos da crise econômica mundial
Organizado pelo Grupo de Líderes Empresariais (Lide), o 8º Fórum Empresarial e 2º Fórum de Governadores foi iniciado sábado passado (18) e prossegue até esta terça-feira (21), no Hotel Transamérica, em Comandatuba. As medidas para amenizar os efeitos da crise econômica mundial se constituíram no principal tema de discussão dos dois fóruns.
De acordo com o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, recentemente, o governo Federal decidiu instituir um depósito de crédito aos bancos pequenos e médios, dando mais segurança aos depositantes. O Fundo Garantidor de Crédito irá assegurar depósitos de até R$ 20 milhões por aplicador. O objetivo é dar tranquilidade aos investidores para que voltem a comprar títulos emitidos por estes bancos. Com estes recursos, os bancos pequenos e médios poderiam emprestar mais, contribuindo ainda mais com a queda de juros.
Meirelles acredita que, diferente das outras crises, nesta o Brasil sai fortalecido, porque o país possui uma grande reserva financeira de moedas estrangeiras, sendo umas das nações onde os empresários estrangeiros podem investir com tranquilidade. O presidente do Banco Central afirmou, também, que a taxa de juros do país segue a tendência de queda no médio prazo. “É importante que os empresários, os bancos e o consumidor continuem confiando no país, porque se as pessoas pararem de consumir e os empresários de investir, perderemos o equilíbrio econômico”, aconselhou.
Entre as medidas do governo Federal para o enfrentamento da crise está a redução da alíquota do Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) sobre eletrodomésticos da chamada linha branca e que já tem impacto imediato sobre as vendas de equipamentos como geladeiras e fogões. Segundo a presidente do Magazine Luiza, umas das maiores cadeias varejistas do país, Luiza Helena Trajano, os produtos ficaram cerca de 10% mais baratos já um dia depois do anúncio da medida. “Facilitou muito a venda dos eletrodomésticos. Acredito que a redução do IPI terá reflexo positivo sobre a cadeia fabril desses produtos, gerando mais emprego e renda”.
Sustentabilidade econômica e ambiental
A “Sustentabilidade econômica e ambiental” também está entre os temas dos fóruns. No domingo (19), o presidente do Banco Central participou do debate “O desenvolvimento econômico com sustentabilidade”. Nesta segunda-feira (20), a discussão ficou por conta do governador do Amazonas, Eduardo Braga, que ministrou a palestra sustentabilidade ambiental. Cerca de 700 pessoas, entre presidentes das maiores companhias nacionais e internacionais, ministros, governadores, deputados e artistas estão participando das discussões.
A sustentabilidade é um assunto que ocupa, cada vez mais espaço na pauta de empresas e corporações. É o que constatou a pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (2008), quando apontou que 52% das empresas consultadas desenvolvem algum tipo de iniciativa voltada para a sustentabilidade e 62% utilizam critérios socioambientais na seleção de seus fornecedores.
Em 2008, durante o 7º Fórum, foi realizada a primeira edição do Fórum de Governadores para estimular a troca de experiências entre empresários e governantes, sobre temas relevantes para o desenvolvimento nacional, fortalecendo a união e estreitando as relações comerciais, econômicas e socioambientais entre os estados.