O Programa Estadual de Combate à Desertificação e Mitigação dos Efeitos da Seca (PAN-Bahia) será apresentado aos membros do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Itapicuru (CBH Itapicuru) nesta sexta-feira (17), durante a 5ª Reunião Plenária Extraordinária do comitê, das 8h30 às 17h, na Câmara de Vereadores do município de Pindobaçu.
O PAE-Bahia será executado pelo Governo do Estado, por meio do Instituto de Gestão das Águas e Clima (Ingá), com recursos do Fundo Nacional de Meio Ambiente, do Ministério do Meio Ambiente. Os técnicos do Ingá estão fazendo visita de campo e já passaram por cidades como Jeremoabo e Juazeiro para a construção do diagnóstico socioambiental.
Eles levantam informações sobre aspectos como as condições de solo, uso da terra, escassez hídrica, que irão respaldar a execução do plano com as ações de combate à desertificação e convivência com a seca. De acordo com a Coordenação Socioambiental do Ingá, que fará a apresentação do Programa no CBH do Itapicuru, 289 municípios baianos, onde vivem aproximadamente 3,7 milhões de baianos, estão localizados nas áreas susceptíveis à desertificação.
Segundo Anapaula Dias, coordenadora socioambiental do instituto, a discussão com o CBH do Itapicuru é imprescindível porque a construção do PAE-Bahia será feita de forma participativa e envolverá os mais diferentes atores sociais, inclusive os membros dos comitês de bacia.
“A discussão com os comitês de Bacia é fundamental porque é um colegiado privilegiado que reúne representantes como poderes públicos, sociedade civil e usuários da água, com conhecimentos sobre a realidade socioambiental daquela bacia.
Vamos levar essa discussão para todos os comitês que estão em áreas susceptíveis como é o caso do Itapicuru”, afirmou.
Também será apresentada a proposta de restauração de 790 hectares de mata ciliar nas barragens de Ponto Novo, Pedras Altas e Pindobaçu.
Desertificação no mundo
- A desertificação atinge 33% da superfície emersa do planeta
- As áreas afetadas pelo fenômeno abrigam mais de 2,6 bilhões de pessoas, 42% da população do mundo
- Aproximadamente 22% da produção mundial de alimentos são oriundos de áreas susceptíveis à desertificação
Principais causas
- Extrativismo - Vegetal (Extrativismo de Madeira) e Mineral
- Desmatamento desordenado
- Queimadas
- Indústria - Olarias/Panificação
- Pastoreio (superpastoreio/sobrepastoreio) - 90% dos pastos usam a caatinga
- Agricultura - Uso intensivo do solo na agricultura (Irrigação mal conduzida/ Manejo e utilização incorreta do solo (salinização)
Impactos
- Migrações em massa para outras partes do país - a conjunção desses fatores leva as populações a um estado de extrema pobreza, fazendo com que se estabeleça um processo de migração intensa na busca de condições mais favoráveis de sobrevivência. Na realidade, essas populações poderiam ser chamadas de “refugiados ambientais” (um milhão de pessoas deixaram as áreas rurais nas ASD entre 1991 e 2000)
- Agravamento dos problemas de infra-estrutura nos centros urbanos
- As perdas econômicas podem chegar a R$ 5,6 bilhões por ano no Brasil