Há sete meses Antônio Marcus, 35 anos, está desempregado. O último trabalho foi como cobrador de ônibus. De lá pra cá fez várias tentativas para encontrar uma vaga, mas sempre esbarrou no mesmo problema. Deficiente físico, ele perdia a chance por ser considerado incapaz de realizar o serviço.
De acordo com dados do IBGE, assim como Antônio Marcus, 8 milhões de brasileiros que possuem algum tipo de deficiência não conseguem emprego. Pessoas em idade ativa, que muitas vezes não têm sequer a primeira chance. “Eu chegava e quando o contratante via que eu tinha deficiência dizia que a vaga já estava preenchida”, conta Marcus.
Na Bahia o problema vem sendo enfrentado por um programa da Secretaria do Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre). O Centro de Atendimento Profissionalizante de A a Z (Capaz), funciona no posto do SineBahia, no SAC do Shopping Barra, e faz a intermediação da mão-de-obra.
Por telefone, um grupo de consultores formado por pessoas com deficiência entra em contato com as empresas, vence o preconceito e arranja emprego para outras pessoas, que assim como eles, também possuem deficiência. “Nosso objetivo é empregar pelo menos 50 pessoas com deficiência por mês, e estamos batendo esta meta” afirma Alex Mota, deficiente visual que trabalha no Capaz.
Informação
“Apesar do esforço, o número de vagas é pequeno para a quantidade de deficientes que procuram emprego e o salário oferecido geralmente é menor”, explica a supervisora de Políticas de Empregabilidade para Pessoas com Deficiência da Setre, Melissa Bahia.
Falta informação por parte dos empresários. Além do preconceito, eles acham que terão dificuldades na adaptação do novo funcionário. Esquecem que hoje as tecnologias permitem que as pessoas com deficiência atuem nas mais diversas áreas. “Existem, por exemplo, equipamentos como os sintetizadores de voz que permitem ao deficiente visual usar computadores. São ferramentas simples e a disposição de todos” afirma Melissa.
Mesmo com as dificuldades a situação melhorou desde a criação da lei 8213/91, que obriga as empresas a contratarem um percentual de funcionários com deficiência. Esta semana, por exemplo, ocorre uma grande seleção que vai escolher 60 pessoas com deficiência para trabalhar numa instituição financeira em salvador. Antônio Marcus conseguiu se inscrever para participar da entrevista e agora espera conseguir o emprego. “Se todos os empresários agissem assim eles estariam sendo mais úteis à sociedade”.
Capacitação
Uma das principais reclamações dos empresários é a falta de capacitação das pessoas com deficiência que se oferecem para preencher as vagas. Para sanar este problema, a Setre realiza o Plano Territorial de Qualificação (Planteq) – que oferece cursos de profissionalização e iniciação ao trabalho.
Em 2008, 200 pessoas com deficiência de todo o estado se qualificaram como ajudantes de cozinha, pedreiros e carpinteiros. Este ano estão sendo realizadas oficinas de informática, telemarketing, técnica de vendas e orientação para o trabalho.