Os produtores de cacau da Bahia tiveram uma importante reivindicação atendida pelo Banco do Nordeste nas condições de renegociação das dívidas. A notícia foi dada pelo governador Jaques Wagner, que intermediou a reivindicação dos cacauicultores, apresentada recentemente na instalação da Câmara Estadual do Cacau.
De Natal (RN), onde participa do 10º Fórum de Governadores do Nordeste, Wagner informou que os produtores que contrataram financiamento nas etapas 1, 2, 3 e 4 do Programa de Recuperação da Lavoura Cacaueira poderão enquadrar os pedidos de renegociação das suas dívidas nos parâmetros do Fundo de Desenvolvimento do Nordeste (FNE) Verde, com oito anos de carência e até 12 anos para pagamento, perfazendo um total de até 20 anos. Estão nesta condição aqueles que produziam cacau em áreas de mata atlântica.
Até então, o prazo era de até quatro anos de carência e até oito anos para pagamento, perfazendo um total de até 12 anos – o que não satisfazia os produtores. A medida poderá atingir 13 mil contratos firmados com o Banco do Nordeste, Banco do Brasil e Desenbahia.
Para se beneficiar das condições do FNE Verde, os produtores terão de apresentar suas propostas junto com um plano de manejo agroflorestal, de forma a assegurar a convivência da lavoura com a mata nativa.
Segundo o governador, este foi mais um passo decisivo rumo à recuperação da lavoura cacaueira e da economia do sul da Bahia, “não só pela condição mais favorável para que os cacauicultores se restabeleçam financeiramente, mas também pelo fato de a conquista ter sido alcançada pela via da organização dos agricultores e pelo diálogo mantido através da Câmara Estadual do Cacau”.
Junto com os demais governadores nordestinos, Wagner discute neste momento a antecipação dos recursos do Fundeb e o empréstimo liberado pelo BNDES para diminuir os efeitos da queda na arrecadação dos estados por causa da crise financeira internacional.
O secretário estadual da Agricultura, Roberto Muniz, disse que essa vitória é fruto da participação de produtores, da sociedade organizada, do governo do Estado, do Ministério da Agricultura e dos bancos de fomento, que, juntos, na Câmara Setorial, construíram um pacto para a execução do PAC do Cacau.