Projetos de pesquisa em Segurança Pública são apresentados na Fapesb

13/05/2009

A Polícia Técnica da Bahia tem condições de apresentar o resultado de identificação do DNA de uma ossada em até uma semana ou, no máximo, em um mês, a depender dos casos, quando antes este processo podia durar até seis meses. A maior agilidade foi alcançada com o apoio de editais da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), contribuindo para transformar o Laboratório Central de Polícia Técnica numa referência na área de análise de DNA em amostras de provas periciais.


Fruto de uma parceria da Fapesb, órgão vinculado à Secretaria de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti), com a Secretaria de Segurança Pública (SSP, o aporte em editais de segurança pública somam mais de R$1,5 milhão. O aporte é utilizado na realização de 31 projetos em diversas linhas de pesquisas, que visam reduzir os índices de violência e criminalidade no estado e contribuir para o desenvolvimento de tecnologias inovadoras na área de segurança pública.


Dezoito desses projetos, já em aplicação, foram apresentados nesta quarta-feira (13), por seus respectivos coordenadores e grupos de pesquisas durante o III Seminário de Avaliação dos Projetos Apoiados nos Editais de Segurança Pública da Fapesb.


Dentre os projetos apresentados estava o Desenvolvimento de metodologia e tecnologias para a realização de perícias criminais em amostras Low Copy Number (tecido ósseo, haste de cabelo, tecido de dentina e tecidos degradados, dentre outros organismos). No valor de R$ 125 mil, o projeto, executado pelo ICAP/DPT-BA, possibilita a análise do DNA para identificação de amostras forenses, como por exemplo, a prova de paternidade e de casos incesto, dentre outras atividades.


“Agora, já podemos investigar o DNA pela haste de cabelo de até 0,5 cm, o que, antes, era impensável. Como também o DNA através de pêlos de animais”, informou o coordenador de Genética Forense do Departamento de Polícia Técnica da Bahia, Eugênio Soares Nascimento, responsável pelo projeto. Outro projeto apresentado no Seminário, também a cargo do ICAP/DPT-BA, foi o de desenvolvimento de metodologia para documentação e análise de indícios e atividade de navegação na internet, aplicada á área forense.


O projeto tem por objetivo criar uma metodologia para analisar, na navegação virtual, arquivos, cachê, chaves de registro ou qualquer outro registro gravado em computador suspeito, determinando suas localizações, estrutura e conteúdo. “Trata-se uma importante ferramenta no combate ao roubo de dados bancários, um crime que está migrando para internet, devido ao baixo risco de se expor a confrontos policiais e movimenta, no Brasil, R$ 1 bilhão, por ano”, observou o coordenador do projeto, perito policial Marcelo Antônio Sampaio Lemos.


O III Seminário foi aberto com uma homenagem ao sociólogo Gey Espinheira, falecido recentemente e que dedicou boa parte de sua vida aos estudos das causas e à prevenção da violência, sobretudo nos bairros populares de Salvador.


O diretor de Inovação da Fapesb, Elias Ramos, disse que os projetos em aplicação consolidam a parceria da área de C&T com a Secretaria de Segurança Pública e a Polícia Militar. “Todos estes trabalhos estão sendo aplicados para aumentar a segurança do cidadão e para sirvam de exemplos para outros estados”, afirmou, por sua vez, o superintendente de Gestão Integrada da SSP, Expedito Teixeira.


Universidades


Dos 31 projetos apoiados pela Fapesb, 22 contemplaram as universidades públicas e privadas, sete foram tocados pelo Departamento de Polícia Técnica, um pela Polícia Militar e outro pela Polícia Civil.

O seminário promoveu a integração dos diversos pesquisadores e difundiu as pesquisas desenvolvidas com a comunidade acadêmica, científica e organizações do sistema de segurança pública. Ao todo, foram avaliados 18 projetos, provas técnicas de crime e influência do espaço urbano na prevenção da violência.