Realizada a 3ª audiência pública para terceirização do Centro de Convenções

08/05/2009

A terceira audiência pública para discutir a terceirização dos Centros de Convenções de Salvador, Ilhéus e Porto Seguro, foi realizada em Salvador, nesta sexta-feira (8). O encontro contou com a presença do secretário de turismo, Domingos Leonelli, da presidente da Bahiatursa, Emília Silva e de funcionários da empresa.


Durante a audiência, foi apresentado o relatório proposto pela consultoria da empresa Indústrias Criativas, vencedora da licitação realizada pela Bahiatursa. Segundo o relatório, o Brasil está entre os 10 maiores realizadores de eventos do mundo, em 8º lugar, e a Bahia precisa se enquadrar nos padrões do mercado de eventos.


De acordo com um estudo feito pela Bahiatursa, um terço dos turistas que visitam o Estado vem à negócio, o que representa pelo menos 20% das ocupações dos hotéis de Salvador. Essa é uma das justificativas para a terceirização do Centro de Convenções, que tem 153 mil m2, 53 mil deles de área construída e foi inaugurado em 1979. São realizados hoje, aproximadamente 300 eventos por ano. “A maior parte deles, 88%, é local, o que descaracteriza a função principal do centro, que foi construído para o fomento do turismo de negócio”, declarou Emília Silva.


A proposta da empresa, é que o governo faça uma concessão remunerada, na qual o Estado receberia uma espécie de pagamento anual ou mensal pela utilização do local. Essa concessão seria de 15 anos, renováveis por mais 15. “Nesse período, o Estado fica responsável pelo acompanhamento e fiscalização para evitar a utilização indevida do local”, garantiu a presidente da Bahiatursa.


Com base nos dados do relatório, a ocupação anual do local é de 28% e, com a gestão privada, até 2012, essa ocupação pode chegar a 52%. O centro está avaliado em mais de R$ 77 milhões e para fazer a reforma necessária, será preciso um investimento de aproximadamente R$ 30 milhões. Atualmente, o caixa do Centro de convenções de Salvador tem um déficit de R$ 1,3 milhão, valor que chegou em 2005 a R$ 3,5 milhões. Pela projeção, em 2012, o caixa estaria com um saldo positivo de mais de R$ 8 milhões.


A contraproposta feita pelo Governo, é que a empresa se responsabilize pelos três centros de convenções do estado (Salvador, Ilhéus e Porto Seguro). “A idéia é que a empresa pense na Bahia como um grande mercado de eventos, assim fica mais fácil administrar”, disse Emília.


A reforma do Centro de Convenções de Ilhéus deve custar cerca de R$ 900 mil e o de Porto Seguro mais R$ 400 mil. Ainda segundo a projeção, os três centros juntos deverão render até 2012, cerca de R$ 14 milhões.

Para o Sindicato dos Empregados das Empresas de Turismo, a maior preocupação é com a manutenção dos funcionários da Bahiatursa que trabalham no centro. De acordo com a empresa, os funcionários serão mantidos pela futura administradora do local.


De acordo com os representantes do Convention Bureau, os eventos de grande porte, para mais de cinco mil pessoas só podem ser realizados no Centro de Convenções em Salvador, e isso representa lucro para toda a iniciativa privada, principalmente à relacionada ao turismo.


Segundo o secretário Domingos Leonelli, a maior preocupação da Setur é explicar a diferença entre terceirização e privatização. “É fundamental explicar isso porque as pessoas precisam entender que essa gestão é necessária para a reforma do local, que não deixará de ser do Estado”, afirmou.


Ainda serão realizadas outras reuniões com a presença dos funcionários da empresa e representantes do trade turístico baiano para uma decisão definitiva quanto à terceirização.