O Centro de Documentação e Memória Afonjá, do Terreiro Ilê Axé Opô Afonjá, em São Gonçalo do Retiro, será completamente digitalizado. Já estão funcionando no local todos os equipamentos necessários, como computadores em rede conectados à internet, scanners e impressoras, cedidos pela Companhia de Processamento de Dados do Estado da Bahia (Prodeb), a partir de um protocolo de intenções assinado entre a empresa, as Voluntárias Sociais da Bahia e a Secretaria Estadual de Promoção da Igualdade (Sepromi).
Para a ialorixá Mãe Stella, responsável pelo terreiro, não poderia acontecer coisa melhor. “O que estou gostando é que de repente uma casa de axé recebe a atenção de uma autoridade constituída. Isso vai ajudar nos nossos projetos sociais, pois é uma forma de comunicação”, afirmou.
O terreiro do Axé Opô Afonjá foi criado em 1910, em uma área ocupada por edificações de uso religioso. Mãe Stella assumiu a direção do terreiro há 33 anos, iniciando uma obra cultural e social com a fundação de uma creche-escola, de um museu de tradição religiosa e de uma biblioteca de referência.
Com a digitalização do Centro de Documentação e Memória Afonjá e a proposta de disponibilizar o acervo on-line, o terreiro assume a vanguarda das experiências inovadoras de democratização na transmissão dos valores fundamentais da tradição africana do mundo.
Segundo o presidente do Conselho Civil da Sociedade Cruz Santa do Axé Opô Afonjá, José Ribamar Feitosa, o candomblé sempre se baseou na oralidade. “Agora serão digitalizados cerca de 500 livros, muitos deles raros, como é a tese original de mestrado do professor Vivaldo da Costa Lima, chamada Família de Santo e datada de 1978”, disse.
Uma janela para o mundo
A primeira-dama e presidente das Voluntárias Sociais da Bahia, Fátima Mendonça, declarou que a iniciativa foi abraçada pela entidade por causa dos objetivos e da seriedade do Ilê Axé Opô Afonjá. “Então, fica aberta uma janela para o mundo, importante para o desenvolvimento dos projetos sociais desenvolvidos aqui”, ressaltou.
Para a secretária de Promoção da Igualdade, Luiza Bairros, a Sepromi tem entre as suas funções fomentar uma política de apoio às religiões de matriz africana. “Gostaria que essa ação marcasse a nossa luta pela construção de se moldar essa política, que ainda não está pronta”, explicou.
Ela observou que a proposta partiu do terreiro, como uma solicitação para a aquisição de computadores. “Mas entendemos que isso poderia ser aprofundado e procuramos a Prodeb. Esse trabalho é muito importante para a preservação da memória da cultura afro-brasileira”, disse.