Fiocruz investiga órgãos de suposta vítima da gripe A

29/07/2009

Publicada às 12h20

Atualizada às 17h45


Fragmentos do pulmão, traquéia, gânglios e secreção nasal da primeira vítima fatal com suspeita da gripe A, na Bahia, foram coletados e encaminhados para análise laboratorial na Fiocruz, do Rio de Janeiro. A informação foi dada por representantes da Secretaria de Saúde do Estado (Sesab), em entrevista coletiva, na manhã desta quarta-feira (29), no prédio da Junta Médica da Sesab, no Iguatemi.


A expectativa é que o laudo conclusivo seja divulgado ainda neste final de semana, já que a Sesab solicitou urgência ao laboratório, diante do óbito. A suposta vítima da Influenza, Geraldo de Freitas Santos, tinha 50 anos e faleceu às 8h da manhã de terça-feira (28), no Hospital São Rafael, em Salvador.


De acordo com o coordenador estadual de Vigilância às Emergências em Saúde Pública, Juarez Dias, o corpo da vítima foi liberado, na noite de terça, do Instituto Médico Legal Nina Rodrigues (IML), e sepultado, nesta quarta, mediante orientações da secretaria.


“Apesar do vírus sobreviver apenas dentro das células, solicitamos o enterro o mais precoce possível por conta das secreções corporais. Estamos acompanhando o caso e monitorando os familiares do paciente que não apresentam sintoma algum da gripe”, disse o coordenador.


A Sesab informou que a vítima deu entrada no São Rafael, no dia 25 (sábado), com sintomas da gripe comum como febre, tosse e dores musculares. Diante do quadro leve, o homem foi medicado e recebeu alta na mesma data, retornando ao hospital dia 27 (segunda-feira), com crise respiratória aguda. Apesar do quadro de gripe A, a vítima era hipertensa e apresentava histórico familiar de morte súbita – principais fatores que impedem a confirmação da morte pelo vírus da Influenza.


O vínculo epidemiológico do ex-paciente, que atualmente trabalhava como corretor de imóveis, está sob investigação. A secretaria está averiguando se o homem teve contato com alguma pessoa de fora da Bahia, a fim de precisar a origem da contaminação, caso haja confirmação da suspeita. “De todos os casos confirmados até hoje, 90% dos pacientes tiveram contato com argentinos ou estiveram no Sul do país”, explicou Juarez.


Não há motivo para pânico


Se for confirmada, pode ser a primeira morte por conta do vírus H1N1, na Bahia, e a segunda no Nordeste. Já são 54 casos confirmados da doença no estado e, atualmente, seis pacientes estão internados na capital baiana - onde concentram-se 75,9% (41) dos casos - com sintomas da nova gripe.


A diretora de Vigilância Epidemiológica do Estado, Alcina Andrade, garante que, apesar do aumento do número de casos, não há motivo para pânico. “A quantidade de óbitos causados pela nova tipologia do vírus é a mesma da gripe comum, em torno de 0,45%. Continuamos obedecendo o protocolo estipulado pelo Ministério da Saúde e monitorando todos os casos suspeitos”.


Segundo a diretora, a quantidade de casos confirmados tende a diminuir, já que as férias, sobretudo, as escolares, chegaram ao fim. “Muitos viajaram para o exterior, o que aumentou as possibilidades de propagação do vírus. Agora, o momento epidemiológico mudou e, certamente, veremos um decréscimo de contaminados”, garantiu Alcina, afirmando que uma ação educativa sobre os sintomas e cuidados com o H1N1 já teve início nas escolas baianas.


“Não vemos motivos para suspensão das aulas, já que a doença está sob controle na Bahia. No entanto, as crianças que estão gripadas devem ter cuidados redobrados com a saúde e procurar um hospital para averiguar os sintomas”, disse diretora.


Quanto à disponibilidade do Tamiflu, única medicação de combate à gripe suína, a coordenadora afirmou que o estoque na Bahia é suficiente para dar conta da atual demanda. “Temos estoques estratégicos no Hospital Otávio Mangabeira, em Salvador, e em cidades de grande fluxo turístico. A quantidade que temos representa o dobro do número de doentes no estado. Estamos preparados”, enfatizou Alcina.