Nove dias depois de serem internadas no Hospital Geral do Estado, vítimas de queimadura por ácido, Mônica Souza Santos, Caliane Ladeia Santos e Katiane Irênio da Costa deixaram, nesta sexta-feira (17), a unidade hospitalar, passando a ser acompanhadas pelo programa de Internação Hospitalar. O programa foi implantado no ano passado, pela Secretaria da Saúde do Estado, com o objetivo de disponibilizar, à população usuária do SUS, ações de saúde prestadas no domicílio. Atualmente, as duas equipes de Internação Hospitalar do HGE acompanham 22 pacientes, sendo 18 vítimas de queimaduras.
O cirurgião plástico Carlos Briglia, coordenador do Centro de Tratamento de Queimados (CTQ) do HGE, onde as pacientes ficaram internadas, conta que as três mulheres tiveram queimaduras de 3º grau em diferentes partes do corpo, mas até o momento não se observa indicação de tratamento cirúrgico, o que ainda poderá ocorrer, a depender da evolução das lesões provocadas pelo ácido. “As pacientes, no momento, apresentam condição de alta hospitalar e serão acompanhadas em internação domiciliar. Caso haja necessidade de intervenção cirúrgica, serão reinternadas para o procedimento”, explica Briglia.
Adequação dos domicílios
A coordenadora da Internação Domiciliar do HGE, Caroline Oliveira, revela que o acompanhamento da ID às três pacientes vítimas prevê a visita de enfermeiras e técnicas de enfermagem, a cada dois dias, para os curativos e demais procedimentos necessários. Uma vez por semana, as pacientes serão avaliadas pelo médico da equipe da ID.
Para serem incluídas no programa de Internação Domiciliar, além da indicação do coordenador do CTQ, Carlos Briglia, assistentes sociais da ID visitaram a residência das pacientes para avaliar as condições de moradia e sua adequação ao procedimento e constataram que no caso de uma das pacientes será necessária sua permanência na casa da mãe.
Mônica, Katiane e Caliane foram queimadas com ácido na tarde do último dia 9 de julho, quando estavam no Centro de Beleza Meg Star, localizado no Pelourinho. A substância, que teria sido jogada por Suelen Santos Medeiros, presa na mesma data, provocou queimaduras em mais cinco mulheres que estavam no salão de beleza, todas atendidas no Centro de Tratamento de Queimados do HGE. Das oito pacientes queimadas, quatro já haviam recebido alta e uma – Clarice dos Santos Neves – continua internada.
Pioneirismo
Pioneiro na Bahia e único no país com gestão estadual, o Programa de Internação Domiciliar tem, atualmente 23 equipes em atividade, nos municípios de Salvador, Lauro de Freitas, Feira de Santana, Ilhéus, Jequié e Vitória da Conquista.
Recentemente, foi desenvolvido um trabalho de divulgação da ID junto aos profissionais das unidades de emergência da rede estadual – Curuzu, São Caetano, Plataforma, Cajazeiras VIII e Pirajá – com o objetivo de captar pacientes destas unidades que preencham os requisitos para inclusão no programa e ainda este ano, o programa deverá ser expandido para mais seis municípios (Barreiras, onde foi lançado oficialmente, Juazeiro, Santo Antônio de Jesus, Porto Seguro, Alagoinhas e Camaçari). No próximo ano, o programa deverá contemplar o município de Guanambi.
As equipes da ID podem atender até 30 pacientes por mês, totalizando até 640 atendimentos/mês. Com isso, além da humanização do atendimento, é possível otimizar a ocupação de leitos hospitalares, liberando vagas para os casos mais graves. Cada equipe do programa possui médico, fisioterapeuta, nutricionista, assistente social, enfermeiro, técnico de enfermagem e motorista. Desde a sua implantação, em outubro do ano passado, até junho deste ano, foram atendidos 694 pacientes.