Um mapeamento sobre a situação em que vivem os povos e comunidades tradicionais será realizado, nos próximos meses, pelo Governo do Estado, por meio da Secretaria de Desenvolvimento Social e Combate à Pobreza (Sedes). Para a execução do projeto, lançado nesta terça-feira (25) serão capacitados pesquisadores das áreas de antropologia, geografia, história e ciências sociais.
Até fevereiro de 2010 estarão concluídas quinze cartografias sociais, possibilitando a identificação de territórios ocupados por comunidades indígenas, quilombolas, extrativistas, de fundos e fechos de pastos, além de áreas do povo de terreiro, pescadores entre outros. No estudo, também serão diagnosticadas a potencialidade econômica e os valores culturais de cada localidade.
“A atividade conta com participação de representantes das populações a serem pesquisadas. Um dos principais objetivos é criar uma política estadual específica para os segmentos”, explicou a coordenadora do Programa de Desenvolvimento Social de Povos e Comunidades Tradicionais da Bahia, Ana Placidino.
Representante da Associação Cultural de Preservação do Patrimônio Bantu (Acbantu), Raimundo Konmannanjy disse que a iniciativa é fundamental para a reafirmação das religiões de matriz africana. “Somos um território africano dentro do Brasil. Queremos respeito à nossa cultura e ao nosso jeito de fazer as coisas”, cobrou, ressaltando a expressiva participação do povo de santo na vida do país. Segundo ele, são 3,8 mil terreiros em funcionamento, somente na Bahia.
A ação da Sedes tem como parceiros, o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), a Universidade do Estado da Bahia (Uneb) e Universidade Federal da Bahia (Ufba).
Com isso, afirma a coordenadora do Programa de Pesquisa sobre Povos Indígenas no Nordeste Brasileiro (Pineb), Maria Rosário de Carvalho, “as universidades cumprem seu papel. O conhecimento retorna às comunidades, ajudando a reduzir as desigualdades sociais que afetam estes povos”. Ela atua na área há 38 anos.
Sensibilização do governo
A professora Maria Rosário destaca que a medida representa para a Bahia um avanço significativo na construção e gestão de políticas públicas, voltadas aos segmentos da população historicamente invisíveis. “Aponta para a sensibilização do governo, para a necessidade de conhecer mais esses povos, estabelecer relações mais próximas”, disse.
Um dos aspectos mais importantes, segundo ela, é o caráter democrático do projeto. Na sua avaliação, deve-se criar condições para que os estudados sejam protagonistas e essa preocupação existe. “Ao invés de pensarmos que o pesquisador dita o processo do conhecimento, hoje está acontecendo o inverso”.