Cachoeira debate Educação Patrimonial até dia 25

19/08/2009

Conhecer, examinar, diagnosticar patologias e prescrever tratamentos. Até parece consultório médico. Mas, os pacientes não são seres humanos e, sim, papéis. Essas são algumas das muitas etapas da Oficina de Conservação em Papel que o Programa de Educação Patrimonial (PEP) do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac) promove na Bahia.


Desde 2007, mais de 30 municípios receberam os técnicos do Ipac para atividades que abordam vistorias, orientações, restauração de bens culturais, ações educativas e de conscientização pela preservação do patrimônio cultural, sejam eles imateriais, como as manifestações populares – festas religiosas -, ou materiais, como edificações de importância arquitetônico-histórica, documentos antigos, quadros, imagens sacras ou monumentos.


Andaraí, Seabra, Ituberá, Caetité, Jacobina, Senhor do Bonfim e Morro do Chapéu já foram visitados pelo PEP/Ipac. São Félix e Cachoeira, a cerca de 100 km de Salvador, municípios do Recôncavo baiano e da bacia hidrográfica do Rio Paraguaçu, são os mais recentes a receber essas ações, já que sediam, até 25 deste mês, o PEP/Ipac, que congrega, além das oficinas de papel, exposições, cursos e pesquisas para registro de bens culturais.


Segundo o diretor-geral do Ipac, Frederico Mendonça, essas ações são fundamentais em todos os municípios, mas, principalmente, em cidades que recebem grandes aportes de recursos para a restauração de seus patrimônios. “A preservação do que já foi restaurado só é possível se a sociedade civil entende a importância do patrimônio e assume, juntamente com os poderes públicos, essa responsabilidade”, alerta Mendonça.


Cachoeira, cujo centro é Patrimônio Nacional pelo Iphan/MinC é a cidade brasileira que mais recebe recursos do Programa Monumenta, que tem recursos dos governos estadual e federal, e financiamento do Banco Interamericano de Desenvolvimento. “Cerca de R$ 36 milhões estão sendo investidos nas duas cidades com a restauração de 80 imóveis e monumentos”, diz Mendonça. A sede da Universidade Federal do Recôncavo, as orlas das cidades, a Ordem do Carmo, igrejas Nossa Senhora do Rosário, Monte e Rosarinho, capela da Ajuda, casa de Ana Nery, fórum e arquivo público, são algumas da obras. São Félix e Cachoeira serão beneficiadas, ainda, com dossiê do Ipac, em parceria com Ufba e Ufrb, para a candidatura do Itinerário Cultural do Rio Paraguaçu como Patrimônio da Humanidade pela Unesco e com o registro da Festa da Boa Morte pelo Estado.


“O patrimônio é de todos e cada um de nós deve preservá-lo”, comenta a educadora Ednalva Queiroz, da Coordenação de Educação Patrimonial do Ipac e responsável pelos cursos desenvolvidos até dia 25 nas duas cidades. Para ela, o trabalho possibilita formação de multiplicadores e envolve as comunidades. As oficinas acontecem na Casa de Cultura Américo Simas, com apoio da Prefeitura de São Félix, possibilitando interação entre população, lideranças e especialistas.


Os restauradores do Ipac, Bruno Visco e Tânia Cafezeiro, coordenadores das Oficinas de Papel, trabalham com identificação de documentos, avaliação, conservação, diagnóstico, correção de imperfeições, manuseio e armazenamento. Mais informações sobre as oficinas na Gepel/Ipac, através dos (71) 3116-6741 e 9977-5562, ou no site www.ipac.ba.gov.br.