No sentido de permitir uma maior articulação nos processos de exportação, a Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri) quer incorporar à sua estrutura, uma diretoria de relações internacionais do agronegócio. Também deverá ser viabilizada pelo órgão, a criação da Câmara Setorial da Carne Bovina, a extinção da Zona Tampão, por meio de ações estruturantes dos serviços de atenção veterinária, além da informatização de toda a rede de serviços da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab).
Essas propostas, ainda em discussão, foram apresentadas pelo secretário Roberto Muniz, na manhã desta quarta-feira (5), a pecuaristas que participaram do 4º Congresso Internacional do Boi de Capim, em Salvador.
“Precisamos abrir novos caminhos para exportação da carne, garantindo sanidade, qualidade e controle das condições higiênico-sanitárias, sem deixar de suprir as necessidades do mercado interno”, disse Muniz.
Ele enfatizou que a Seagri tem atuado nos processos descentralização e regionalização de frigoríficos e no apoio às feiras e exposições agropecuárias, reconhecidas nacional e internacionalmente.
O Brasil é hoje o maior exportador de carne do mundo e o segundo em produção, com 197 bilhões de animais, sendo o único país com potencial de aumentar a taxa de desfrute (relação rebanho existente x produção).
Com um rebanho bovino estimado em 11,2 milhões de cabeças, a Bahia é o primeiro no ranking produtivo do Nordeste e participa com 5,7% da produção nacional. No entanto, o estado ainda não exporta. Os principais pólos produtores são o extremo sul, o oeste (2,2 milhões de cabeças) e a região sudoeste.
Redução no tempo de abate
Segundo Muniz, os principais gargalos são a forma extensiva de criação, a baixa produtividade e a melhoria genética deficitária, que já está sendo qualificada. Outros fatores limitantes deverão ser equacionados e se referem à uniformidade no tempo de abate, à diferenciação do setor produtivo na organização e produtividade e a equalização da problemática do abate.
“Já podemos constatar uma significativa redução no tempo de abate, em seis anos, e atingimos o índice vacinal de 96,5% contra a aftosa, caminhando para a extinção das zonas tampões (até 2010)”, afirmou o secretário.
Outra evolução está no abate inspecionado, com ampliação de 250 mil para 702 mil, em relação ao período de 2003 a 2008. “De 2007 a 2009, passamos de 18, para 26 frigoríficos implantados no estado”, acentuou.
Espera-se que o investimento amplie a cadeia produtiva, com incentivo à pecuária local, garanta o aumento da comercialização de carnes e derivados no estado e o abastecimento com qualidade higiênica e sanitária.
A apresentação foi um dos momentos mais esperados e fez parte da programação de encerramento do Congresso Internacional do Boi de Capim, reunindo um público superior a 500 pessoas. Também participou do painel, o consultor e representante da Fazenda Paredão, Nelson Piñeda, que fez uma análise sobre as perspectivas para o comércio da carne bovina.
A avaliação foi otimista sobre as commodities boi – carne que, segundo ele, foram as que tiveram o menor impacto econômico com a crise. “O mundo vai comer mais produtos de origem animal (carne e leite) e o Brasil tem carne com baixo custo de produção. Análises de bancos internacionais têm demonstrado que o sistema de cria (desde que mecanizado) incentiva mais do que a engorda. Precisamos reconstruir a imagem da carne brasileira na Europa, valorizando o pecuarista que preserva o meio ambiente”, defendeu Piñeda.
Ele disse ainda que o compromisso precisa ser coletivo visando o diagnóstico dos pontos críticos, as recomendações de políticas públicas, a indicação de áreas de investimento e pesquisa e a construção de um modelo consistente. “A cada três quilos de carne bovina, um é brasileiro. No entanto, os menores preços são pagos aos produtores”, informou.