Os principais meios de hospedagem dos municípios de Cachoeira, São Félix e Muritiba estão completamente lotados desde a noite de quinta-feira (13), por conta do movimento de pessoas que foram conferir de perto as festividades da Irmandade de Nossa Senhora da Boa Morte. Em Cachoeira, palco das celebrações, a prefeitura estima que 15 mil pessoas passem pela cidade até a próxima segunda-feira (17).
Entre os que estão visitando a cidade, há gente de todos os cantos do mundo. A chef de cozinha Angela Piragini chegou de São Paulo em busca de um resgate histórico e cultural da religiosidade brasileira. “O que me chamou bastante atenção foram as roupas, as rendas e os aspectos naturais casados à arquitetura da cidade”, conta.
Com o mesmo propósito, um grupo de 32 norte-americanos também chegou à cidade. Munidos de câmeras fotográficas e filmadoras, eles pretendem levar diversas recordações para os Estados Unidos. “Viemos de lugares variados como Nova York, Los Angeles, Filadélfia e muitos estão aqui pela primeira vez”, afirmou o afro-americano Stan Simmons. De acordo com o Departamento de Turismo Étnico da Secretaria Estadual de Turismo (Setur), mais de 500 afro-americanos devem participar dos festejos este ano.
Já a historiadora e funcionária pública Telma Moreira saiu de Natal, no Rio Grande do Norte, para a cidade do Recôncavo, que fica a 111 km de Salvador, a fim de pagar uma antiga promessa. “Tive um problema de saúde muito grave e, ao ficar boa, vi uma reportagem sobre Nosso Senhor da Boa Morte, que é venerado na América Latina. Depois disso, procurei na internet algo sobre algum santo católico vinculado à Boa Morte e assim fiquei conhecendo a Irmandade de Nossa Senhora”.
Renda extra
Se para os que chegam as festividades da Boa Morte representam uma bela viagem no tempo, com o resgate da cultura e da história, para os que vivem na região a manifestação significa mais dinheiro no bolso. Em uma pousada localizada em Muritiba, a menos de 10 km de Cachoeira, os proprietários comemoram a lotação dos 16 quartos disponíveis. “Estamos sem vaga durante todo o fim de semana. Movimento assim, só no período de festas juninas”, informou um empresário, que preferiu não se identificar.