Em novembro de 2004, depois de sete anos em tratamento de hemodiálise, a estudante de Direito Brunília Sacramento foi submetida a um transplante renal, procedimento classificado por ela como uma “dádiva”. O depoimento da estudante, desde que deixou o município de Rui Barbosa e veio para Salvador com diagnóstico de Lupus, doença que se agravou e causou insuficiência renal, até conseguir um doador para o transplante de rim, marcou a abertura, nesta quarta (16), no auditório da União dos Municípios da Bahia (UPB), do Encontro Baiano de Enfermagem, iniciativa da Secretaria da Saúde do Estado, por meio do Sistema Estadual de Transplante.
O evento, que deu início à programação do Encontro de Especialidades em Transplantes, que também contemplará as áreas de psicologia, serviço social, terapia ocupacional e fisioterapia, quinta e sexta-feira (17 e 18), no mesmo local, tem como principal objetivo capacitar profissionais da área de saúde para as atividades relacionadas à captação e transplante de órgãos, que ainda são pouco difundidas, inclusive nas universidades.
Durante a instalação do Encontro Baiano de Enfermagem, o superintendente de Assistência Integral à Saúde (Sais) da Secretaria da Saúde (Sesab), Alfredo Boa Sorte, representando o secretário Jorge Solla, afirmou que “não existe saúde sem enfermagem, sem uma equipe multidisciplinar”, acrescentando que a Sesab, com esses encontros, visa agregar mais pessoas para a questão dos transplantes. “A doação de órgãos é mais do que um direito. Só quem doa é capaz de entender o sentido da palavra solidariedade”, disse Boa Sorte.
Questão da sociedade
O médico Eraldo Moura, coordenador do Sistema Estadual de Transplante, considerou “extremamente gratificante” receber enfermeiros para o encontro e lembrou que a atividade de transplante tem início na atenção básica e termina na alta complexidade, ou seja, perpassa toda a área de saúde. “O transplante não é questão só do Estado, do setor de saúde. É de toda a sociedade e de cada cidadão. Quando a sociedade doa, o cidadão é beneficiado”, falou o médico.
Uma parceria com a Sesab nas ações de incentivo à doação e ao transplante de órgãos, principalmente na atenção básica, que compete aos municípios, foi sugerida pelo vice-presidente da UPB, Antônio Araújo de Souza, prefeito de Ourolândia, que, representando o presidente da organização, declarou-se “feliz por sediar um evento tão importante”.
A massificação de informações sobre o processo de doação e transplante de órgãos foi defendida pelo superintendente da Sais, Alfredo Boa Sorte, que também falou sobre o aumento no número de doações de órgãos que vem sendo observado nos últimos dois anos. “Aumentamos em quase 300% a quantidade de doações, mas isso ainda é pouco”, pontuou.
Intensivistas
Com o objetivo de discutir o processo de doação/transplante de órgãos, diagnóstico de morte encefálica, manutenção do potencial doador e estratégias para ampliar o número de doações e transplante de órgãos na Bahia, a Sesab e a Associação Brasileira de Transplante de Órgãos (ABTO) promovem entre os dias 18 e 20 próximos (sexta-feira, sábado e domingo), no Hotel Vila Galé, em Guarajuba, um curso para intensivistas e neurologistas de hospitais das redes pública e privada do estado. Cerca de 30 profissionais participarão do evento, que terá entre os palestrantes convidados o presidente da ABTO, Valter Duro Garcia.