Em vez de ficar até mais tarde na cama ou aproveitar o tempo livre para curtir a praia, alunos da rede pública estadual têm trocado os finais de semana pelas salas de aula por uma causa nobre – estudar para o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem), que acontece nos dias 3 e 4 de outubro.
Para preparar os alunos, muitas escolas da rede estadual estão realizando aulões preparativos e simulados. Além de tirar as dúvidas e ampliar o conhecimento, a iniciativa visa garantir um bom desempenho dos estudantes no exame, que é um dos passaportes para o acesso à universidade. Diferentemente das aulas convencionais, o reforço para o Enem é focado nas competências e habilidades cobradas pelo exame.
No Colégio Estadual Edvaldo Brandão Correia, a iniciativa dos aulões partiu do grêmio estudantil, que organizou o projeto, e desde o mês passado cerca de 200 estudantes do colégio e da comunidade do entorno passam as manhãs de sábado e domingo nas salas de aula. As aulas são ministradas por professores do colégio, estudantes universitários e outros professores. Todos eles atuam como voluntários.
“No cotidiano das aulas não dá para pegar todo o conteúdo. Então, quanto mais oportunidades, maiores serão nossas chances de melhor desempenho. Como só participa quem tem interesse, o resultado tem sido muito positivo”, disse o aluno do terceiro ano e presidente do grêmio estudantil do Edvaldo Brandão Correia, Rafael Jesus da Conceição. Além de reforçar o conteúdo, os encontros abrem espaço para os professores explicarem as mudanças realizadas no Enem.
Para a diretora do Colégio Edvaldo Brandão Correia, Firmina Viterbo de Azevedo, a iniciativa garante que os estudantes visualizem melhor como se resolve a prova. “Ao resolver questões da prova do Enem de outros anos, eles passam a compreender melhor a avaliação. Até porque, ela não demanda só conteúdo, mas, sim, habilidades e competências”, afirmou.
Ela destacou que o reforço faz com que os estudantes se sintam mais motivados para fazer a prova. “Temos alunos bons que, às vezes, deixam de fazer vestibular porque não se sentem preparados, e os que tentam conseguem aprovação até na Universidade Federal da Bahia”, observou.
Outro colégio em que os estudantes têm trocado a diversão pelas salas de aula nos finais de semana é o Thales de Azevedo. Desde o final do primeiro semestre, cerca de 300 alunos passam as manhãs de sábado na escola, sendo preparados para o Enem e para participar de um grande simulado antes da prova.
“Além de garantir uma melhor preparação dos nossos alunos para o Enem, com essa iniciativa esperamos manter o Thales entre os melhores no ranking de desempenho das escolas públicas baianas”, declarou a vice-diretora do colégio, Elisabete Paiva Brito Mioni.
Passaporte para a universidade
Estudante do terceiro ano do Thales de Azevedo, Jorge Lucas Paz Leite Lobo, 18 anos, não perde as aulas do preparativo e diz que o fato de o exame servir como passaporte para o ingresso na universidade ajuda a despertar um maior interesse dos alunos. “Esse reforço ajuda a deixar todo mundo mais motivado para passar no vestibular”, explicou o aluno, que está em dúvida entre os cursos de Música e História.
No Colégio Estadual Dalva Matos, em vez dos finais de semana, o preparativo acontece no turno oposto ao que os alunos estudam. Uma vez na semana os estudantes têm reforço de Português e Matemática. “Nossa proposta é de, no futuro, oferecer mais disciplinas. Entretanto, nessa fase inicial, nos preocupamos em atender primeiro as matérias que eles apresentam maiores dificuldades”, informou o vice-diretor da unidade, Humberto Dias.
Estudante do segundo ano, Jéssica Santos da Luz não vai fazer a prova do Enem, mas nem por isso perde a oportunidade de se preparar para garantir um bom desempenho. “É uma oportunidade que tenho de ampliar meus conhecimentos para fazer uma boa prova”, avaliou a aluna, que pretende conquistar uma vaga no curso de Direito.
Segundo a coordenadora da Secretaria Estadual da Educação (SEC), Diana Pipolo, essa iniciativa dá suporte para o primeiro contato dos estudantes com o novo Enem. “É mais uma forma de apoio que a escola dá para os estudantes, com a participação de professores de forma voluntária, numa demonstração de que os professores da rede estadual estão preocupados com o melhor aprendizado dos seus alunos”, ressaltou.