Em depoimento nesta quarta-feira (16) na CPI da Violência Urbana, em Brasília, o Secretário de Justiça, Cidadania e Direitos Humanos, Nelson Pellegrino, fez um balanço das ações adotadas pelo Governo da Bahia no combate aos ataques a módulos da Polícia Militar (PM) e ônibus em Salvador. “Conseguimos trazer a tranquilidade de volta à população de Salvador”, disse o secretário à CPI. A operação que envolveu o deslocamento de efetivos do interior, ronda 24 horas e ações de inteligência resultou na prisão de 32 marginais e na transferência de 15 traficantes para presídios de segurança máxima, entre eles o chefe da quadrilha Cláudio Campanha, que foi para um presídio de segurança máxima em Mato Grosso do Sul.
Pellegrino atribuiu os ataques a uma reação de traficantes contra a atitude do Governo da Bahia de não fazer acordo com o crime organizado. "Os bandidos [que queimaram ônibus] reagiram à ação da polícia que não aceita acordo de paz com bandidagem", afirmou. Para ele, não há indícios de que os ataques na capital baiana possam ter algum tipo de ligação com facções criminosas do Rio de Janeiro ou de São Paulo.
Estatísticas
Pellegrino informou que, no ano passado, 97,3% do orçamento da Segurança foi executado, ao desmentir informações de que apenas 21% teria sido aplicado no setor. Os efeitos já apareceram com a redução em 18% do índice de homicídios e 13% nos assaltos a ônibus.
Para Pellegrino, a ação rápida e articulada entre as secretarias de Justiça e de Segurança Pública permitiu que os ataques a coletivos e módulos policiais fossem reprimidos. “O governo montou uma equipe competente, somada a um grupo de inteligência chefiado pelo secretário César Nunes. Foi rápido ao agir com aumento de contigente policial vindo do interior, monitoramento e repressão com confronto direto”, relatou aos parlamentares.
O secretário disse ainda que a situação está monitorada e que o governo tem identificado o clima de tranqüilidade por meio de interceptação telefônica e de agentes infiltrados. “Trata-se de uma questão estratégica de segurança”, afirmou.
Pellegrino revelou que pretende transformar os presídios da capital baiana em uma área de monitoramento permanente e criar um setor de inteligência prisional. “Precisamos desse monitoramento permanente dos presídios porque, hoje, temos apenas uma leitura de fora para dentro”, afirmou.
Segundo o secretário, o Governo do Estado se esforça para melhorar a situação nos presídios, onde existem 8,3 mil internos para cerca de 6 mil vagas. Para suprir as necessidades, estão em fase de construção os presídios de Vitória da Conquista, Eunápolis, a nova cadeira pública de Salvador, e o presídio feminino. “Até o final de 2010 serão criadas mais 3 mil vagas para abrigar a população carcerária do estado”, contabilizou.