O projeto Conversas Plugadas, iniciativa do Teatro Castro Alves, com apoio da Secretaria de Cultura (Secult) e da Fundação Cultural do Estado (Funceb), recebe a cantora baiana Reis e o compositor e produtor italiano Aldo Brizzi para um concerto no Second Life (secondlife.com/), uma comunidade virtual em 3D. De um lado estará o público real, que acompanhará o show por meio de uma tela, na Sala do Coro do Teatro Castro Alves e, do outro, o público virtual conectado em todo o mundo.
O show acontecerá na segunda-feira (21), a partir das 20h, com acesso gratuito. Reis e Brizzi realizarão também um seminário nesta quinta e sexta-feira (17 e 18), das 15 às 17h, no foyer da Sala do Coro, introduzindo os participantes no mundo de Second Life e suas técnicas de comunicação.
Pioneira na combinação entre mídias e comunicação global, Reis foi a primeira cantora brasileira a realizar um show no Second Life. Virtualmente conhecida como “Reis Alter”, ela fez sua estreia em janeiro de 2008 e já realizou mais de 200 shows nesse formato.
Reis e Aldo Brizzi apresentam em 3D o mesmo trabalho que eles costumam apresentar nos shows ao vivo, uma mistura de new trip-hop, bossa nova e pós-clássica, unidos pela suave voz de Reis. Mas as luzes e o cenário são bem diferentes do show realizado no palco tradicional.
A apresentação no Second Life utiliza projeções de videoarte para criar um complexo e fascinante cenário e desenho de luzes sem usar os comuns holofotes. Os figurinos também são uma atração, com grande impacto visual. Uma das peças é feita de cinco metros quadrados de seda branca, que vira uma tela vestida por Reis, onde cores e imagens se misturam e se fundem ao “cenário multimídia”.
Comunidade virtual
Second Life é um simulador da vida real em um mundo virtual totalmente 3D, imaginado e construído pelos próprios habitantes. Cada usuário cria um avatar e, assim, pode explorar este espaço grande como um continente, além de interagir com outros usuários de todo o mundo em tempo real. Além de personalizar completamente seu avatar, é possível criar seus próprios objetos e negócios tudo em modelagem 3D.
Os participantes podem comprar terrenos e casas, abrir lojas, fazer transações em dinheiro, organizar festas e exposições, realizar shows de música ao vivo, conferências, namorar e até casar (virtualmente). O Second Life possui até moeda própria, o Linden dollar (L$), que pode ser convertida em dólares verdadeiros, respeitando a cotação do dia.
Trata-se de uma plataforma sem limites para a imaginação humana, restringida apenas pela velocidade de conexão e a capacidade do próprio computador. Esta comunidade virtual baseada em tecnologia moderna já conta com quase 9 milhões de usuários e uma média de 80 mil logados ao mesmo tempo 24 horas por dia. As transações entre usuários, só nos último três meses, atingiram 144 milhões de USD.
O projeto
O Conversas Plugadas tem como proposta oferecer novos aprendizados ao corpo técnico do próprio TCA e ao público em geral, por meio do intercâmbio com profissionais de destaque no cenário nacional e internacional, com os quais poderão ser compartilhadas vivências e novos olhares sobre as profissões artísticas.
Reis
Natural da cidade de Santo Amaro da Purificação no Recôncavo baiano, Reis formou-se em canto pela Ufba e prosseguiu seus estudos em Berlim. Foi protagonista de óperas como Rei Brasil, evento que comemorou os 500 anos do Brasil em 2000, e das óperas Pahi Tuna e 5 Operas de Bolso, encenadas no Teatro Vila Velha, em 2001. Em 2002, passou a dedicar-se a world-pop music depois de estrear no Teatro Mercadante de Nápoles no programa Brizzi do Brasil, dividindo o palco com Daniele Sepe.
No ano seguinte fez temporada de concertos no Teatro 18, em Salvador, dividindo o palco com grandes artistas como Caetano Veloso, Arnaldo Antunes, Virgínia Rodrigues, Margareth Menezes e Zeca Baleiro.
Reis também participou do musical Mambo Místico, de Alfredo Arias e Aldo Brizzi produzido pelo Théâtre de Chaillot de Paris, apresentado 55 vezes entre Nantes, Paris e Marselha.
Fez gravações no CD de composições inéditas de Sílvio Deolino Froes, no CD solo de Manuel Paulo (do grupo Ala dos Namorados) e no CD Aço do Açúcar, além de uma faixa no disco Sponda Sud (Fandango Records, Itália) que gravou com Eugenio Bennato.
Em 2008, gravou o EP Reis, lançado no México; em março do mesmo ano, encarou o novo desafio de apresentar a sua voz pura e natural em sofisticados mundos tecnológicos, realizando shows ao vivo na internet via radio streaming e Second Life.
Aldo Brizzi
Nasceu na Itália em 1960 e estudou na Universidade de Bolonha. Foi diretor principal do “Ensemble of Ferienkurse”, na cidade alemã de Darmstadt (1990-94) e regeu importantes orquestras na Itália, Alemanha, México, Portugal, Moldávia, Romênia, entre outros países.
Também gravou CDs com a Filarmônica de Torino, a Orquestra Metropolitana de Lisboa, o Ensemble Itinéraire de Paris e La Camerata PanAmericana (México). Brizzi ainda regeu e estreou obras de compositores como Ennio Morricone, Giacinto Scelsi, Horatiu Radulescu, Gualtiero Dazzi, Jorge Peixinho, Luc Ferrari, Gilberto Mendes, dentre outros.
Em 1999, Brizzi veio a Salvador como professor visitante da Ufba, onde lecionou até 2001, e não deixou mais a cidade. Passou a trabalhar com diversos músicos brasileiros. Realizou turnês com o grupo de percussão Terra em Transe, que se apresentou no Panorama Percussivo Mundial (Perc Pan), em 2002.
Foi diretor musical da turnê de Virgínia Rodrigues, em 2001, fez arranjos orquestrais para Arnaldo Antunes e Zeca Baleiro e, em 2002, lançou o CD Brizzi do Brasil, que traz suas canções interpretadas por Caetano Veloso, Gilberto Gil, Teresa Salgueiro, Tom Zé, Carlinhos Brown, entre outros. Brizzi também participou do Cd Maré de Adriana Calcanhoto como arranjador.
Dentre os prêmios que Brizzi já ganhou, destacam-se Venezia Opera Prima - Veneza (Teatro La Fenice) 1981, Ano Europeu da Música 1985 - Veneza (Festival d’Automne Paris, WDR, Bienal de Veneza), Franco Evangelisti 1986 - Roma, Junge Komponisten Forum 1989 – Colônia, Troféu Caymmi – Brasil 2004 (para o CD Brizzi do Brasil como melhor disco do ano na categoria especial), e Les Souffleur – Paris 2005 (para o musical Mambo Místico como "melhor música para teatro 2004-05"), além do Superchoc de Le Monde de la Musique e Diapason d’or (França).