Crédito para inovação potencializa pequenos e micronegócios

28/10/2009

A vagem de algaroba tornou-se uma grande oportunidade de negócio para o ramo de alimentação animal. Na Bahia, a pioneira é a Riocon Fazendas Reunidas, que vem investigando a qualidade nutricional desta leguminosa típica da caatinga nordestina a partir de financiamento obtido na Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb), vinculada à Secretaria Estadual de Ciência, Tecnologia e Inovação (Secti).


Os R$ 400 mil subvencionados para pesquisa vêm sendo investidos desde abril e já possibilitaram o aumento das vendas para R$ 4 milhões por ano. Com uma fábrica de farelo, em Manoel Vitorino, e outra de ração, em Abaré, municípios do sudoeste, a empresa mantém uma carteira de mil clientes e 150 empregos diretos e indiretos numa região ainda marcada pelo baixo desenvolvimento.


Segundo o coordenador das fábricas, Alessander Davi, a cadeia produtiva envolve pequenos produtores associados e instituições científicas que auxiliam nas pesquisas. “Estamos buscando adaptar a algaroba para alimentação humana, por ser um produto natural rico em proteínas, sem conservantes e sem glúten. Isso já é realidade na Paraíba e em países como Peru e Estados Unidos. Também inovamos no cultivo da alfafa para nutrição animal. Queremos consolidar este mercado na região”.


Os resultados parciais desta pesquisa foram apresentados, esta semana, à diretoria de inovação da Fapesb como parte da avaliação parcial de projetos aprovados pelo Pappe Subvenção Econômica. O programa concede créditos, a fundo, perdido de até R$ 500 mil para pesquisas de inovação tecnológica em pequenas e microempresas.


No total, os cinco projetos somam R$ 2,1 milhões investidos em inovação, contemplando outras áreas como energia solar, biotecnologia, biomedicina e tecnologia da informação. “Essa avaliação é muito importante para sabermos se os recursos públicos estão sendo bem aplicados e se os projetos estão trazendo resultados”, observou Ruy Andrade, representante local da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), do Ministério de Ciência e Tecnologia, parceiro da Fapesb no apoio à inovação para pequenos e microempreendimentos, por intermédio dos programas Pappe Subvenção e Juro Zero (crédito parcelado em até 100 vezes).


Também foi avaliado outro projeto que está estudando um novo tipo de própolis (G6), encontrada no Litoral Norte da Bahia, em manguezais, diferenciada dos outros tipos pela forte ação antibacteriana e anticancerígena. A pesquisa aprovada no edital “Pesquisador na Empresa” visa agregar valor aos produtos apícolas e apiterápicos produzidos no estado.


“Estamos na fase de identificar as plantas onde as abelhas colhem essa própolis e observar o comportamento delas nas estações secas e chuvosas”, explica a pesquisadora Fabiana Nonato, da empresa Naturapi, que faz produção e transformação de própolis e desenvolverá a pesquisa ao longo de 18 meses.


Para Gustavo Motta, representante do fundo privado de capital de risco Criatec, que ingressa como sócio em negócios inovadores no país, a Fapesb e a Finep cumprem o papel fundamental de consolidar a base científica das empresas. “Estamos analisando 25 projetos da Bahia, mas vamos priorizar os mais avançados do ponto de vista da competitividade”.