Cultura do eucalipto ganha espaço entre pequenos agricultores baianos

10/11/2009

Há seis anos, seu Lindoelson Olegário dos Santos, 53 anos, conheceu a cultura do eucalipto ao visitar amigos no distrito de Posto da Mata (Nova Viçosa), no extremo sul da Bahia. A partir daí, surgiu o interesse de pesquisar e obter mudas de árvores para o plantio em sua fazenda, no município de Wenceslau Guimarães, no baixo sul.

Da visita a Posto da Mata, seu Lindoelson trouxe na bagagem algumas sementes de eucalipto e a vontade de investir na nova cultura. Determinado, limpou a área e iniciou o plantio em sua propriedade.


Hoje, ele possui mais de 60 mil pés de eucalipto na sua Fazenda Água Branca, localizada no distrito de Água Vermelha, zona rural de Wenceslau Guimarães. As mudas foram conseguidas por meio do Programa Agricultor Florestal, da Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema). “Comecei com 200 mudas e hoje tenho uma floresta”, disse.


De crescimento rápido e retorno garantido, o eucalipto transformou seu Lindoelson em um dos maiores fornecedores da madeira para mourões de fazendas e madeireiras da região. “Quando comecei a produzir, o povo dizia que eucalipto secava a terra. Resolvi arriscar, e hoje, com o resultado, tenho certeza de que isso é mito”, destacou.


“Pra mim, plantar eucalipto é economicamente viável. Tinha muita história de que a terra secava, de que os passarinhos iriam acabar e que não daria para plantar mais nada”, afirmou o agricultor, que, junto com o eucalipto, cultiva cacau, banana-da-terra, além da criação de 60 mil peixes nas sete represas localizadas na sua fazenda.


Coordenado pela Sema, o Programa Agricultor Florestal apoia o desenvolvimento rural, fortalecendo a agricultura familiar e gerando trabalho e renda para os produtores rurais.


Técnicos da Sema prestam assistência aos produtores, orientando sobre o plantio e manejo das sementes e mudas. “Comecei a plantar sem técnica. Usava vários espaçamentos. Eles me orientaram sobre a espécie ideal para o meu terreno e ainda apresentaram outras opções de eucalipto”, explicou seu Lindoelson.


Segundo o secretário estadual do Meio Ambiente, Juliano Matos, o programa modifica a cultura do agricultor familiar ao propor um ganho social e, principalmente, ambiental para a região. “A iniciativa dá dignidade ao homem do campo, propondo alternativas sustentáveis e condições de trabalho. Cerca de 80% da população de Wenceslau Guimarães vive na zona rural e sobrevive da agricultura”, disse.


Mercado e renda


Boa parte da madeira produzida por seu Lindoelson é comercializada com a Madeireira Novaes, em Wenceslau Guimarães. Há um ano e meio o proprietário Alex Novaes optou por trabalhar para atender a demanda de empresas e fábricas de estofados, camas-boxe, portas e colchões. O comerciante repassa para as fábricas de móveis locais cerca de 80 a 100 metros cúbicos de madeira por mês. “A tendência é aumentar”, observou Alex.


Ele informou que trabalhar com o eucalipto tem sido gratificante. “Primeiro porque prezo pelo caminho da legalidade e pela preservação. Aliado a isso, tem o incentivo para o pequeno agricultor investir na produção. Aconselho o plantio do eucalipto. E se depender de mim terá sempre mercado”, revelou.


Agregar valor


Para atender e apoiar os agricultores da região, a Sema, em parceria com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), vai disponibilizar capacitação no manuseio da madeira para os usos específicos.


De acordo com Renato Souza, presidente do Sindicato Rural de Gandu, cidade localizada no baixo sul da Bahia, a parceria aconteceu devido aos produtores acreditarem no programa da Sema e na cultura do eucalipto.


“O programa é relevante, pois educa o homem do campo e ainda abre a possibilidade para a geração de renda”, ressaltou Renato, lembrando que a iniciativa tem o viés da preservação e sustentabilidade.


A próxima capacitação do programa, com data prevista para início de fevereiro, contará com palestras, seminários, dia de campo para os agricultores e visitas técnicas.


O secretário de Meio Ambiente de Wenceslau Guimarães, Juarez Leal, afirmou que o programa é responsável pela redução da degradação do meio ambiente. “Além disso, promove o desenvolvimento de forma sustentável, evitando o êxodo rural com a oferta de trabalho”, lembrou.


“A expectativa é que esta parceria possa trazer mais uma alternativa de fixar o homem no campo, para que ele possa viver com dignidade e focado na sustentabilidade”, disse Rogério Miranda, técnico da Sema.