Diálogos em prol dos remanescentes de quilombos marca 1º Fórum de Educação

05/11/2009

Em Seabra, o Colégio Estadual Filinto Justiniano Bastos, onde 90% dos 784 alunos do turno da manhã pertencem a comunidades quilombolas, é um exemplo a ser seguido e sua experiência foi apresentada no 1º Fórum de Educação Quilombola que acontece até esta sexta-feira (6), no Hotel Vilamar, em Amaralina.

Ao receber estudantes quilombolas e perceber a rejeição dos alunos da sede, a professora de língua portuguesa, Najara Queiroz, decidiu estudar a Lei nº 11.645/2008, e a disseminá-la para toda a comunidade escolar. “Iniciei solicitando pesquisa aos alunos sobre as comunidades e reuni os professores de outras disciplinas para que trabalhassem de forma integrada. Hoje, os alunos enxergam que vivemos em um país multirracial e somos todos iguais”, afirma a professora.


Considerado pelo Ministério da Educação como o primeiro evento brasileiro que se propõe a discutir a realidade educacional das comunidades quilombolas, o 1º Fórum de Educação Quilombola segue com diálogos entre o Estado, professores e lideranças, em torno das conquistas e desafios para esta comunidade.

“Este espaço é uma forma do Estado tratar com respeito a comunidade negra, que é representada, na Bahia, com a maior população fora da África”. Estas foram as palavras da coordenadora de Educação para as Relações Étnico-Raciais e Diversidade, da Secretaria da Educação, Nádia Cardoso.


Com esta iniciativa, o Governo da Bahia quer discutir as diretrizes para a construção de uma política pública que garanta, aos povos remanescentes de quilombos, o atendimento às suas especificidades. No país, existem mais de 1.340 comunidades, certificadas, até setembro de 2009, pela Fundação Palmares. Destas, 297 estão na Bahia, entretanto, estima-se que existam mais de 500 remanescentes de quilombos no Estado.


Para o professor da Universidade do Estado da Bahia, Valdélio Silva, militante do Movimento Negro, a educação nos quilombos deve ser intensa nos assuntos que os povos vivenciam e o conteúdo da formação quilombola deve abordar, também, a vida política, econômica e cultural. “É importante também que as escolas possam incorporar os indivíduos mais velhos para que acrescentem no processo educativo. Juntos, governo e sociedade, a educação quilombola só tem a evoluir e ganhar o reconhecimento que luta há anos”.


Experiência


Outra experiência que tem trazido resultados positivos para a educação é o do Colégio Estadual Ruy Barbosa, em Boninal, que atende estudantes das comunidades de Mulungu, Cotia e Batêa, “Lá, na escola, este ano, já percebemos as melhorias, os estudantes das comunidades quilombolas foram os que mais se destacaram nas atividades culturais como Terno de Reis e dança, este é um avanço na autoestima deles, é a valorização da identidade cultural”.


Uma forma de integrar e trocar experiências, além de levar novas informações para a escola, é o que pensa o diretor do Colégio Estadual Ruy Barbosa, Sued dos Santos. “Estar aqui hoje é muito importante, participar e poder fazer parte da construção de políticas públicas que só têm a beneficiar nosso povo”.


A presidente da Associação de Povos Remanescentes de Quilombolas, de Segredo, Distrito de Souto Soares, Rita da Silva Xavier, que luta há anos pelo reconhecimento do seu povo e pela conscientização dos direitos deles diz que veio com sede de aprender e já adiantou que sua comunidade tem tido avanços no comportamento, principalmente das mulheres, que tem aprendido a valorizar seu cabelo, sua cor. “Agora com a valorização por parte do Estado vamos avançar muito mais”.