Herança patrimonial do país, os remanescentes de quilombolas integram a memória viva de um passado nem tão remoto, datado da colonização portuguesa mesclada à escravidão com negros trazidos da África. Resgatar as raízes históricas e culturais dos negros, reconhecendo-os como precursores e força motriz do desenvolvimento, alçá-los ao seu devido papel de protagonistas da trajetória nacional e permitir que se desvinculem definitivamente do estigma do preconceito racial é fundamental para a efetivação de uma nação brasileira una e soberana.
Pensando assim, o Instituto Mauá e a Superintendência de Economia Solidária (Sesol), da Secretaria Estadual de Trabalho, Emprego, Renda e Esporte (Setre) transformam o ideal em ações, por meio do projeto de Incubadoras Temáticas, beneficiando, inicialmente, as comunidades quilombolas Dandá e Palmares, em Simões Filho.
Elas foram escolhidas a partir dos baixos indicativos socioeconômicos, seguindo dados oficiais do Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), e passam a contar com ações de apoio, logística, suporte, orientação e qualificação profissional. O projeto, que visa integrar capacitação técnica e gerencial com a preservação do patrimônio material e imaterial, aposta na autossustentabilidade, com o estímulo às práticas de economia solidária.
O principal eixo gira em torno do desenvolvimento de produtos, a partir de investimentos direcionados a atividades que já são usualmente praticadas em cada povoado. Ao aproveitar o potencial produtivo, as peças artesanais ganham em qualidade, com maior apuro e aperfeiçoamento, facilitando o acesso ao mercado e assegurando o escoamento da produção.
A comercialização, inclusive, já é uma frequente na sede do Centro de Economia Solidária, no Comércio, e nas feiras de artesanato promovidas pelo Mauá. O ganho em qualidade de vida, com a geração de trabalho e renda, transforma a realidade da população negra. Autoestima e independência financeira se aliam à valorização do trabalho e do talento criativo. Estratégias solidárias de produção e gestão asseguram o cultivo e sustentação das tradições populares que alicerçam a cultura de uma comunidade e repercute em todo o país.
Projeto
Concebido em 2008 e devidamente estruturado ao longo do ano, o projeto entrou em ação efetiva em abril de 2009. Duas entidades - Instituto Kirimurê e Cooperativa de Trabalho e Apoio Tecnológico (Coopat) - conveniadas com o Mauá cuidam da rotina produtiva e demais benefícios das Incubadoras; sempre sob a supervisão do Instituto e da Sesol, por meio de visitas regulares, a cada três meses, para acompanhamento e avaliação das atividades desenvolvidas. O projeto tem duração total de dois anos.