Transformar um problema de degradação em potencial fonte de renda, além de melhorar a qualidade de vida da comunidade por meio de uma iniciativa socioambiental. Esta foi a forma que a Secretaria Estadual do Meio Ambiente (Sema) encontrou para reverter um quadro de degradação com a utilização da fibra da taboa, planta aquática típica de brejos, manguezais e várzeas.
Preocupada com a disseminação da taboa na lagoa da Usina Cinco Rios, a comunidade de Maracangalha, distrito de São Sebastião do Passé, a cerca de 80 quilômetros de Salvador, resolveu se unir para limpar a área do espelho d’água ao seu modo. A iniciativa culminou com ações de desmatamento, queimadas e degradação em uma Área de Proteção Ambiental (APA).
Por conta disso, a Sema, via APA Joanes-Ipitanga, em parceria com a Coelba e o Sebrae, iniciou em 2008 a implantação do Núcleo Produtivo de Artesanato em Taboa, a Taboarte, melhorando a vida de 35 artesãs locais. “A iniciativa acabou com o problema. A taboa é retirada da lagoa e utilizada como matéria-prima para artesanato, deixando o espelho d’água preservado”, contou o engenheiro agrônomo e gestor da APA Joanes-Ipitanga, Geneci Braz de Sousa.
Habilidade, empenho e criatividade são os ingredientes que as artesãs utilizam para confeccionar os produtos a partir da fibra da taboa. Na Coleção Maracangalha, estão chapéus, esteiras, colares, pufes, sacolas, colares, brincos e até buquês.
Mudança de vida
Maria José Campos, 54 anos, professora aposentada, quando deixou de ensinar há cerca de dois anos, não sabia como se adaptar à nova condição. Sentia solidão por não ter companhia, pois todos em casa saíam. Foi quando foi convidada a participar do projeto Taboarte. “Foi uma mudança em minha vida. Abracei o projeto e me dedico de corpo e alma”, disse.
A dona-de-casa Leilane Araújo, 24 anos, é outro exemplo de melhoria de vida. Ela participa do projeto desde o início e afirmou que só agora, junto com as companheiras de tear, está tendo lucro, pois no primeiro ano o que era vendido servia para pagar parte de materiais e manutenção. “O Taboarte chegou em boa hora. É uma iniciativa muito proveitosa”, destacou.
Na questão ambiental, a Sema, por meio dos técnicos da APA Joanes-Ipitanga, procura orientar as artesãs a extrair e manusear corretamente a fibra da taboa através da elaboração de um plano de manejo para a cultura. O Sebrae ajuda na capacitação técnica para o trabalho com a taboa, visando a produção artesanal e sua posterior comercialização.
Oficinas
Desde a sua implantação, foram realizadas muitas oficinas, voltadas para questões de produção, gerenciamento e mercado, objetivando a organização e padronização de produtos, consultoria de gestão, capacitação de redes de associativismo e cooperação, entre outros. As artesãs participam de feiras e rodadas de negócios e empreendedorismo para divulgar e comercializar os produtos na cidade.
A Associação de Moradores e Amigos de Maracangalha, juntamente com a prefeitura de São Sebastião do Passé e o Instituto Mauá, também dá suporte ao projeto. Além dos trabalhos manuais, as peças são produzidas em 20 teares disponibilizados pelos parceiros.