A implantação de hortas pedagógicas e de um viveiro para reprodução de plantas nativas da caatinga são dois dos empreendimentos desenvolvidos pelo Governo do Estado, por meio do Projeto Mata Branca, que vêm despertando o interesse da comunidade do distrito de São Bento, município de Curaçá, e a aprovação do Banco Mundial (Bird), que financia o projeto com recursos doados pelo Fundo Mundial para o Meio Ambiente (GEF).
Os projetos foram visitados esta semana por uma missão do Bird, que esteve na Bahia acompanhando os avanços alcançados pelo Mata Branca, realizado em parceria pela Secretaria de Meio Ambiente (Sema) e Secretaria Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), sob a coordenação da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR). Além de Curaçá, o projeto também tem ações realizadas nos municípios de Jeremoabo, Itatim e Contendas do Sincorá, na Bahia, e ainda em outros seis municípios no estado do Ceará.
A horta pedagógica prevê uma gestão integrada com a escola, utilizando o princípio da contextualização com a realidade local, promovendo a conscientização ambiental e disseminando os conceitos de uma alimentação saudável por meio de práticas de agricultura orgânica. A unidade piloto no município, que consta de uma cisterna com capacidade para 50 mil litros de água e seis canteiros para verduras, legumes e fruteiras, custará o equivalente a R$ 6 mil e está sendo implantada em parceria com o Instituto Regional da Pequena Propriedade Apropriada (Irpaa).
Nesta primeira fase, cerca de 50 famílias serão beneficiadas no povoado de São Bento, onde as hortas já começaram a ser implantadas. Em um segundo momento, mais 127 famílias das comunidades de Barra do Brejo, Canabravinha e Pau de Colher também serão favorecidas com o projeto.
Outros dois projetos – a implantação de um sistema produtivo integrado e de barragens subterrâneas – também estão sendo programados para serem realizados em Curaçá. O diretor regional do Irpaa, José Moacir dos Santos, explica que a unidade em implantação é familiar e destinada à sua subsistência. “Essa tecnologia já está sendo aplicada com sucesso em outras comunidades de cinco municípios”, comemora.
A representante do Banco Mundial, Judith Lizansky, considerou satisfatória e positiva a ação do Projeto Mata Branca no município de Curaçá, que já financiou a exploração de dois sítios arqueológicos cujos achados estão expostos no museu local. Das peças encontradas e catalogadas constam fragmentos de urnas, panelas, ossos e arcadas dentárias de dois adultos e três crianças indígenas que viveram há mais de 1.600 anos na região.
Entre os achados estão ainda pinturas rupestres localizadas em uma parede no fundo de um abrigo de calcário, representando centenas de pinturas e gravuras que se sobrepõem e formam um painel, desenhado provavelmente por grupos indígenas pré-coloniais.