A implantação do projeto de unidades demonstrativas em tanques-rede no município de Araci, a 211 quilômetros de Salvador, na Região do Semi-Árido, no final do ano passado, já permitiu que pescadores e produtores rurais, produzissem 12 toneladas de peixe do tipo tilápia este ano, e projetem uma produção de 15 toneladas para o período da Semana Santa do próximo ano.
A produção de peixes se concentra no Açude Público de Araci, pertencente ao DNOCS (Departamento Nacional de Obras Contra a Seca), onde a Bahia Pesca, empresa vinculada à Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri), mantém 40 tanques-rede, onde são criados os peixes. Os alevinos (filhotes de peixes) são trazidos das estações da própria Bahia Pesca e passam por um, processo de engorda e crescimento que dura vem média entre seis a oito meses.
Na localidade de Poço Grande, a 18 quilômetros de Araci.30 famílias de pescadores estão cadastradas no projeto desenvolvido pela Bahia Pesca, em parceria com a Universidade do estado da Bahia (UNEB). E o Funcep (Fundo de Combate e Erradicação da Pobreza). O primeiro processo de alevinagem (povoamento dos tanques-rede com filhotes de peixes) começou em janeiro e oito meses depois fez-se a primeira despesca, com 12 toneladas de tilápias, das quais 10 toneladas foram comercializadas para empresas no município de Paulo Afonso e as restantes consumidas por famílias da própria região.
Para o período da semana Santa, quando se espera uma produção de 15 toneladas, a expectativa dos produtores é que sejam adotados os mesmos critérios de comercialização. Para esse novo ciclo de produção, a Bahia Pesca doou 32 mil alevinos, que, nesse período, deverão estar pescando acima das 600 gramas, prontas para consumo e comercialização.
Alternativa - A produção de peixes utilizando a técnica de tanques-rede é hoje um dos principais projetos desenvolvidos pela Bahia Pesca no interior do estado. Diferente do povoamento em aguadas públicas, onde os alevinos são colocados em açudes e pequenas barragens para a procriação livre, o cultivo em tanques-rede requer acompanhamento técnico periódico, na alimentação, seleção e engorda dos peixes.
Outra característica é que a implantação dos tanques-rede obedece à seleção de famílias participantes dos projetos, feita pelas próprias lideranças dessas comunidades, atendendo exigências técnicas dos programas, que são: serem membros de alguma entidade colônia ou associação de pescadores, e estarem inscritos no Programa Bolsa Família. Cada localidade selecionada recebe tanques-redes, centros de manejo, canoas, balanças e pulças. Todas as unidades recebem, ainda, assistência técnica durante um ano e subsídios de alevinos e ração para o primeiro ciclo de produção.
O diretor-técnico da Bahia Pesca, Marcos Rocha, explicou que cada tanque-rede pode render entre 600 a mil quilos de peixe ao fim de cada ciclo de produção, que dura entre seis e oito meses, em média. Ele enfatiza ser esta uma das maneiras mais eficazes de manter a atividade do homem do campo, principalmente em regiões onde a agricultura não tem bons rendimentos por causa das condições adversas do clima. “Criar peixes em tanques-rede é garantia de produção, com, baixo custo e retorno imediato”, diz.
Pescadores se destacam
Para o pescador Valdete Pereira carvalho, 62 anos e pai de seis filhos, o reconhecimento pelo trabalho que realiza na Cooperativa dos Pescadores de Poço Grande, a 18 quilômetros da cidade de Araci, foi recompensado com o prêmio “Piscicultor do Ano”, recebido durante a Fenagro, no início do mês, em Salvador.
O prêmio, uma parceria da Associação Baiana dos criadores (Abac), Secretaria da Secretaria da Agricultura, Irrigação e Reforma Agrária (Seagri) e Jornal A TARDE, destacando os principais produtores nas diversas modalidades da agricultura familiar e empresarial e pecuária, na qual se incluiu o ramo da piscicultura.
A Associação dos Pescadores de Poço Grande, na qual Valdete Pereira foi o representante, concorreu com três outras entidades de pisciculturas, no Estado, dos municípios de Boa Vista do Tupim, Utinga e Adustina. “O prêmio coroa de êxito o nosso trabalho, a nossa persistência e a confiança no projeto, que a começa a dar os primeiros resultados”, disse.
Entusiasmo - Sob um sol escaldante, a pescadora Suely dos Reis, 44 anos e seis filhos, é uma das mais entusiastas dentre as 30 famílias inscritas no programa de piscicultura mantido pela Bahia Pesca com a Associação dos Pescadores de Poço Grande, em Araci. Uma das primeiras a se inscrever, ela relata as dificuldades iniciais e o entusiasmo com a primeira despesca, feita em setembro deste ano.
“Há oito anos que vivíamos nessa ansiedade, com promessas que não se realizavam. Agora a Bahia pesca creditou e nos deu os tanques-rede e as rações e finalmente temos peixes”, disse. Quem vivia das diárias de R$ 12,00 no campo, como Joaquim Carvalho da Silva também comemora. “A gente agora sabe que tem alimento e renda no tempo certo”, diz, referindo-se à próxima despesca, programada para o período da semana Santa.
Wenceslau Guimarães
Dando prosseguimento ao programa de povoamento em aguadas públicas e comunitárias, a Bahia pesca distribuiu 60 mil alevinos na última sexta-feira para os produtores rurais do município de Wenceslau Guimarães, a 283 quilômetros de Salvador. O município foi um dos 22 contemplados com os convênios de cooperação técnica, assinados pela Bahia Pesca, durante a realização da Fenagro, em Salvador.