O Carnaval Pipoca deu espaço para a diversidade musical, trazendo para a avenida um público que muitas vezes não frequenta a festa por falta de opções de diversão. Do axé, passando pelo rock, música eletrônica, samba, o programa também permitiu o intercâmbio entre artistas locais, nacionais e internacionais.
Dos quase R$ 51 milhões investidos pelo Governo do Estado no Carnaval 2010, R$ 12 milhões foram com a programação da festa. O Balanço da Secretaria de Cultura do Estado (Secult) confirma o sucesso do Carnaval 2010, principalmente no que diz respeito a esta programação.
Cerca de 270 atrações se apresentaram nos quatro trios elétricos, que desfilaram pelo segundo ano consecutivo, em oito minitrios licitados pela Secult, em outros trios contratados pelo Conselho de Carnaval e nos palcos, praças e ruas do Centro Histórico e bairros de Salvador.
Até a madrugada desta quarta-feira (17) foram registradas as apresentações de 17 projetos e 87 artistas, distribuídos de forma equilibrada em todos os bairros da cidade – Periperi, Liberdade, Cajazeiras, Itapuã, Pau da Lima, Plataforma e Centro Histórico, com público estimado em mais de 800 pessoas por dia de apresentação.
“Estamos comemorando o resultado, a recepção do folião pipoca, mas também temos a certeza de que o Carnaval de Salvador precisa e deve ser repensado. Investimos dentro do limite orçamentário do Estado e não foi pouco”, explica o secretário de Cultura, Márcio Meirelles. “Agora temos programas e produtos claros. No próximo ano é desejável a parceria com a iniciativa privada para qualificar ainda mais esses programas”.
Dentre os destaques da programação da Secult estão os 25 anos da Axé Music e suas raízes, com as apresentações de Gerônimo, acompanhado das cantoras Márcia Short e Mariene de Castro, e Luiz Caldas, num desfile especial em homenagem a Orlando Tapajós. Destaque também para o Retrofoguetes e Baiana System com suas releituras sobre a tradicional guitarra baiana.
A participação dos Núcleos Estaduais de Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia (Neojibá) no trio de Daniela Mercury também é vista como o resultado de um processo que começou em 2007, quando o Governo investiu no projeto coordenado pelo pianista e maestro Ricardo Castro.
Atualmente, o Neojibá conta com duas orquestras, a Orquestra Sinfônica Juvenil 2 de Julho (J2J) e a Orquestra Castro Alves (OCA), compostas por 135 integrantes. Desde o fim de 2009, o projeto passou a ser gerido pela Associação Amigos das Orquestras Juvenis e Infantis da Bahia e do Neojibá (Aojin), entidade do Terceiro Setor qualificada pelo Governo do Estado como Organização Social (OS), que deverá cumprir um conjunto de metas, a exemplo da criação de um novo núcleo do projeto por ano em parceria com prefeituras baianas.
Carnaval Ouro Negro foi responsável por 50,3% das atrações do circuito Batatinha
Há três anos, cumprindo recomendações do Ministério Público e atendendo às demandas da sociedade civil, a Secult criou o Programa Carnaval Ouro Negro para dar apoio às entidades de matriz africana. Este ano, foram investidos R$ 4,96 milhões para o apoio ao desfile de 120 blocos. Do conjunto de atrações presentes no circuito Osmar, as entidades financiadas pelo programa foram responsáveis por 44,2% do número de apresentações.
No Batatinha, a presença de entidades participantes do Programa Ouro Negro cresce de forma exponencial. Das 171 atrações, as entidades do Ouro Negro compõem 50,2% deste número e são responsáveis por 74,3% do total de apresentações realizadas no circuito.
Além dos afoxés, receberam apoio financeiro do Ouro Negro os blocos afros, de samba, reggae, índio e percussão. Também, ao longo do ano, 23 afoxés do Carnaval receberam uma contribuição a mais do Instituto de Águas e Clima da Bahia (Ingá), que reconheceu o importante trabalho que os terreiros de candomblé fazem de preservação das águas e das fontes sagradas.
Em parceria com o Sebrae, a Secult oferece um programa anual de capacitação em gestão cultural para fortalecer a estrutura administrativa dos blocos, incentivando a captação de recursos de outras fontes, na busca pela sustentabilidade.
Organização
A atuação da secretaria junto às entidades tem dado resultado tanto na perspectiva de fortalecimento das comunidades tradicionais quanto na própria organização do Carnaval. Os oito minitrios contratados pela Secult alteraram a festa no circuito Batatinha/Osmar, mostrando que a escala métrica dos trios interfere na dinâmica dos blocos, possibilitando a participação de agremiações menores.
A articulação dos blocos para a criação da Liga das Entidades de Matriz Africana é vista como mais um fruto da articulação do Governo do Estado junto às entidades que participam do Programa Ouro Negro. “O Ouro Negro está se consolidando como uma política de Estado para aqueles que sempre foram invisíveis no Carnaval. Nossa expectativa é que isso vire lei e que possamos organizar o Carnaval 2011 ainda este ano”, afirma Márcio Meirelles.
Diversidade cultural e tranquilidade marcam Carnaval do Centro Histórico
O carnaval do Pelourinho reafirma sua marca de alegria e paz. Durante os cinco dias de festa, os serviços essenciais funcionaram em horário especial para garantir que os foliões brincassem na maior festa popular do planeta sem preocupação.
Os pais que levaram seus filhos para curtir a programação do Carnaval do Pelourinho também contaram com apoio redobrado do Juizado de Menores. Os comissários trabalharam em regime de plantão para garantir a segurança e integridade dos menores.
Para organizar a festa para as cerca de 10 mil pessoas que estiveram por dia nas ruas e largos do Centro Histórico, o Programa Pelourinho Cultural mobilizou uma equipe de 160 profissionais, entre produtores culturais, seguranças, motoristas e pessoal de apoio. Foram 98 atrações que se apresentaram em todo o Pelô, tanto nas ruas como nos sete palcos montados nos largos, além dos quatro bailes infantis realizados na Praça das Artes.
Funcionando de sexta à terça-feira, a Varanda do Glauber, projeto realizado no Espaço Unibanco de Cinema Glauber Rocha, por meio de uma parceria entre a Secult, por meio do Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural (Ipac), Bahiatursa e Espaço Unibanco, foi o grande diferencial do Carnaval no Centro Histórico da cidade.
Realizado com o propósito de revitalizar o Carnaval da Praça Castro Alves, 17 atrações passaram pelo palco da Varanda, proporcionando 34 horas de música. Cerca de mil pessoas circularam pelo Camarote que funcionou na Varanda. Por lá passaram nomes como o cantor Caetano Veloso, o diretor teatral Fernando Guerreiro, o produtor Paulo Borges, dentre outros convidados.
“A Varanda foi uma demanda do público e artistas do Carnaval que queriam ver a festa retornar para a Praça Castro Alves com qualidade”, afirma Meirelles. Por volta das 2h desta quarta-feira, os Novos Baianos puxaram o encontro junto com o Trio Encontro Percussivo, ambos do Programa Carnaval Pipoca. Em seguida, Arto Lindsay encerrou a programação cultural da Varanda do Glauber.
Cobertura da TVE
Com mais de 90 horas de transmissão nos 6 dias da festa e por meio do portal www.carnaval.ba.gov.br, a TVE Bahia mostrou porque faz a melhor transmissão do Carnaval de Salvador, com foco nas questões históricas e culturais da festa. Foram mais de 10 mil acessos diários de diversas partes do mundo.
Sintonizada com as ações da Secult, o Irdeb transmitiu a festa de quatro pontos da cidade, trabalhando com produção independente na cobertura do Carnaval Ouro Negro e Pipoca. A novidade desse ano ficou por conta da captação especial de som e imagem no Terreiro de Jesus, com o corredor midiático. O conteúdo será distribuído para os blocos no pós-Carnaval como forma de apoiar a comunicação e divulgação dessas entidades.
Uma câmera de cinema digital, Red 4 K, foi operada pelo cineasta Jorge Alfredo nos circuitos da festa. As imagens serão transformadas em um documentário sobre o Carnaval 2010. A TVE também foi responsável pela transmissão da festa nas cidades do interior baiano e liderou o pool de emissoras para a transmissão do Carnaval, que envolveu a TV Brasil, a TV Cultura de São Paulo e a portuguesa RTP, que transmitiu o conteúdo para os Estados Unidos, países da África, Ásia e Europa.
Confira como foi o Carnaval da Secult
www.carnaval.ba.gov.br
www.cultura.ba.gov.br
www.pelourinho.ba.gov.br
www.carnavalouronegro.ba.gov.br
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