Cúpula da Segurança Pública acompanha investigação em Vitória da Conquista

25/02/2010

A cúpula da Segurança Pública do Estado, formada pelo secretário César Nunes, pelo delegado geral da Polícia Civil, Joselito Bispo, e pelo comandante geral da PM, coronel Nilton Mascarenhas, esteve em Vitória da Conquista, nesta quarta-feira (24), para acompanhar de perto as investigações que apuram a morte de quatro jovens e o desaparecimento de outros três.

Durante a visita, o grupo encontrou mais uma prova dos crimes - um projétil que foi utilizado para matar uma das vítimas, no Loteamento Guará, no bairro de Lagoa das Flores. Foi preciso cavar e passar a terra em peneiras para encontrar o material, que estava a poucos centímetros do solo.

“Nós constatamos que alguns projéteis haviam transfixado o corpo da vítima. Quando isso acontece, eles ficam enterrados a uma profundidade pequena. Voltamos ao local e, ao escavar, encontramos o que procurávamos. Essa é mais uma prova que vai ajudar a descobrir qual a arma, seu tipo e até se foram utilizadas mais de uma arma nos crimes”, explicou César Nunes.

O grupo também esteve no Departamento de Polícia Técnica de Vitória da Conquista, onde revisou e analisou as provas materiais colhidas até agora. Todo o material - o projétil encontrado, nesta quarta, um fragmento de projétil, um estojo de cápsula e um papel com anotações de telefones - foi encaminhado a Salvador para realização de perícia.

Identificados - Além das provas materiais, a Polícia e o Ministério Público estão colhendo provas testemunhais. Segundo o coordenador da Polícia Civil em Vitória da Conquista e responsável pelas investigações, delegado Odilson Pereira, 20 pessoas parentes de vitimas e 25 policiais que estavam de plantão no dia dos crimes já foram ouvidas. “Também fizemos a exumação de um cadáver, vamos realizar a exumação de outros três e começar com a solicitação de medidas cautelares”.

Parentes das vítimas já reconheceram quatro policiais militares que participaram da ação. O secretário da Segurança Pública não revelou o nome, nem as patentes dos envolvidos, para não atrapalhar as investigações, mas garantiu que não vai haver corporativismo. “O comando da PM está aqui determinado a fazer essas apurações e serão adotadas todas as medidas cabíveis para punir os culpados dentro da lei”.

Número de vítimas é menor

César Nunes informou que o número de vítimas envolvidas na série de mortes em Vitória da Conquista é menor que as suspeitas iniciais. Ele disse que foi feita uma análise caso a caso e constatado que apenas quatro homicídios e três desaparecimentos estão relacionados com a morte do Policial Militar, Marcelo Márcio Lima, no dia 28 de janeiro.

“Tivemos 11 homicídios no período e três pessoas estão desaparecidas. Desses, quatro estão devidamente identificadas como decorrentes da morte do PM, os outros quatro homicídios não tem indícios de relação com a morte, um deles inclusive ocorreu antes, outro foi de motivação passional e o outro ocorreu na zona rural”, afirmou César Nunes.

Segundo a promotora Ana Rita Nascimento, do Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado do Ministério Público (Gaeco), é precipitado dizer que todas as mortes estão ligadas ao assassinato do PM. “Nós estamos ligando caso a caso para ver se realmente eles estão próximos e se foram em conseqüência da morte do policial. Mas é falho dizer que todas estão relacionadas ao crime”.