Diversidade marcou o penúltimo dia de Carnaval na Praça do Povo

16/02/2010

Publicada às 13h10

Atualizada às 15h50


Trios sem cordas, trios com longa corda, afoxés, pagode, axé music, reggae, banda dentro do camarote e banda na Varanda. Assim tem sido a diversidade do Carnaval da Praça Castro Alves. Uma das primeiras atrações a passar pela praça foi o bloco afro Didá, vinda do Campo Grande, onde abriu o desfile do circuito Osmar.


O encerramento da Didá, no final da rua Chile, foi marcado por homenagens a Neguinho do Samba. A banda formada apenas por mulheres cantou as músicas preferidas do maestro, criador da Didá. “Vamos homenagear Neguinho hoje e sempre”, afirmou uma das integrantes.


Considerado o pai do samba-reggae, Neguinho do Samba foi também maestro do Olodum e morreu em outubro do ano passado, vítima de enfarte.


Para Hamilda Queiroz, 56, uma das fundadoras da Didá, era importante que o primeiro desfile sem Neguinho fosse repleto de homenagens.

“Mesmo com todas as dificuldades, Neguinho mantinha os projetos de valorização da mulher”. Hamilda reclamou também da falta de apoio. “Seria muito bom se tivéssemos mais apoio para os projetos da Didá”, afirmou.


O bloco Didá integra o programa de fomento da Secretaria de Cultura do Estado, Carnaval Ouro Negro, criado para incentivar as entidades carnavalescas de matriz africana, como afoxés, blocos de samba, reggae, índios, afros e percussão.


Outras entidades que integram o Programa Carnaval Ouro Negro fizeram a festa na Praça Castro Alves. Entre eles os afoxés Filhos de Korin Efan, Oriobá, Okambí e Filhos de Ogun de Ronda.


As cores das fantasias e o toque forte dos atabaques chamaram muita atenção dos foliões da Praça para a passagem dos afoxés, mesmo que alguns desses não trouxessem trios de alta potência sonora.


Reggae


Representando a música da Jamaica, passaram os blocos Filhos de Jhá, com seu reggae black roots e o Aspiral do Reggae. Em frente à Varanda do Glauber, os foliões do Aspiral, boa parte usando dread looks, foram homenageados pelo cantor Aloísio Menezes, que animava a Varanda no momento e mandou mais música reggae para a Praça.


Quem estava no camarote do Ilê Aiyê não parou um só minuto. Após a passagem dos blocos, o samba rolava solto no espaço, animado pelas bandas Fora da Mídia e Samba com você. Muitas homenagens de artistas que passaram pela praça ao mais antigo bloco afro do Carnaval.


Travestidos


O penúltimo dia de Carnaval na Praça Castro Alves foi marcado pela irreverência dos blocos de travestidos, formados por homens que aproveitam os dias da folia momesca para experimentar o universo feminino.


A irreverência desses blocos já começa nos nomes debochados: As Sapatonas, As Marisqueiras, As Kuviteiras, As Kenkas e o mais famosos deles, As Mukiranas. Foi uma sequência de perucas, saias, maquiagem e muita alegria. Todos escolheram bandas de pagode e suas músicas sensuais como atração.

Saindo das cordas, os integrantes do bloco As Mukiranas ocuparam boa parte da praça com suas brincadeiras e armas de jato d’água disparadas para todos os lados.


Ilê


Eram quase 2h da madrugada de terça-feira quando o aguardado afro Ilê Aiyê despontou na Ladeira de São Bento, com a Deusa do Ébano, Gisele Matamba, no carro de abertura.


Em frente ao camarote, os percussionistas da banda Aiyê pararam para ouvir a batida dos 50 músicos do Maracatu Porto Rico, que vieram de Pernambuco para participar das homenagens do Ilê ao estado nordestino. As tradicionais alfaias do maracatu pernambucano celebraram o tema do Ilê este ano: “Pernambuco, uma nação africana”.