Oeste baiano é laboratório permanente de tecnologia

Publicado: 22/03/2010 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

Para ampliar a base tecnológica de informação e promover a competitividade no campo, 800 sojicultores do oeste da Bahia estão participando do concurso de produtividade desenvolvido pelo Comitê Especial da Soja no Brasil (Cesb).

“Até 30 de maio deste ano, os agricultores inscritos devem entregar os formulários de colheita, contendo todas as informações do que foi aplicado na propriedade para o aumento da produtividade, gerando um banco de informações e alimentando a pesquisa”, afirmou o representante do Cesb, Ricardo Balardi. A realização deste concurso foi uma das ações divulgadas durante a Passarela da Soja, um dia de campo que aconteceu no último final da semana no distrito de Roda Velha, em São Desidério.

O secretário estadual da Agricultura, Roberto Muniz, que esteve representando o governador Jaques Wagner, conheceu as principais variedades produzidas na região e falou sobre a importância de se desenvolver pesquisas para o agronegócio. “Aqui, podemos ver a pesquisa aplicada. É o laboratório ampliado a cada ano. Aqui, temos a visão de que a pesquisa gera resultados para o produtor e para o consumidor do produto final”, afirmou.

Sobre a importância do oeste da Bahia, o secretário explicou que a atividade na região representa um laboratório permanente de desenvolvimento do agronegócio no estado. “Queremos esse desenvolvimento em toda a Bahia”, declarou. A média de produtividade de soja na região, há 15 anos, era de 35 sacas por hectare, e hoje, graças à difusão tecnológica, chega a 50 sacas por hectare.

Balardi definiu o Comitê Especial da Soja no Brasil como grande incubadora tecnológica. “Para a elevação da produtividade média, queremos incluir na próxima safra 1,2 mil produtores baianos de soja, promovendo assim a melhoria da rentabilidade do agricultor. A ideia é que o Cesb seja um futuro fomentador de instituições de pesquisa”, explicou.

A organização civil, composta por profissionais reconhecidos e atuantes nas diversas áreas da cadeia produtiva, desenvolve estratégias de incremento da produtividade através da troca de informações e de ações institucionais voltadas à qualificação do produtor e tecnificação das lavouras. Essas e outras alternativas de incentivo à produção e fomento à pesquisa e à sustentabilidade foram conhecidas durante a Passarela da Soja.

O evento, que oficializa o início da colheita da soja, superou as expectativas da organização e reuniu 1,2 mil pessoas, entre produtores, técnicos, empresários, pesquisadores e estudantes. Gestores estaduais e municipais também estiveram presentes. Durante o encontro, os participantes levaram para casa ou propriedade mudas de espécies do cerrado, doadas por uma empresa de fertilizantes.

Lançamento de três novas cultivares

Na Passarela da Soja, a Fundação Bahia lançou três novas cultivares resistentes à nematoide e ao herbicida glifosato. As variedades foram testadas em três centros e estão prontas para o produtor.

“Com a produção dessas variáveis, garantimos diferentes produtividades, portes, engalhamento e altura”, observou o presidente da Fundação Bahia, Amauri Stracci, ressaltando que a instituição de pesquisa não deixará de produzir a planta convencional.

Segundo o vice-presidente da Associação de Agricultores e Irrigantes da Bahia (Aiba), Sérgio Pit, a expectativa da safra de soja este ano é recorde, devendo chegar à marca de três milhões de toneladas do grão e uma área plantada de 1,05 milhão de hectares. Na última safra, foram colhidos 2,4 milhões de toneladas de soja.