Programa Mãe Canguru deverá ser referência nacional

Publicado: 03/03/2010 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

Existente desde 2003, o programa Mãe Canguru, do Hospital Geral Roberto Santos (HGRS) e que já é referência estadual, deverá figurar como referência também em nível nacional. A intenção do Ministério da Saúde em referenciar nacionalmente o programa e as adequações necessárias, do ponto de vista material e humano, para que isso aconteça, foram tema nesta segunda-feira (1º) de reunião entre diretores e profissionais do HGRS e da Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab).

Uma equipe de profissionais do Hospital Geral Roberto Santos será capacitada, em nível federal, de 26 a 30 de abril, em curso para tutores. Integram a equipe as médicas neonatologistas Maria de Lourdes Santiago Costa Leite e Magnólia Magalhães de Carvalho, a fisioterapeuta Isabel Falcão Modesto, a psicóloga Alice Ferreira e a enfermeira Bárbara Primo, que já atuam como tutoras do programa desenvolvido no HGRS. Ainda em abril, técnicos do Ministério da Saúde visitarão o hospital para tratar do processo de certificação.

De acordo com o diretor-geral do HGRS, Paulo Barbosa, várias ações já foram e estão sendo efetivadas para que o hospital obtenha a certificação de unidade referenciada no programa. “Em termos de reconhecimento do papel do Hospital Roberto Santos na área de atenção materno-infantil, é muito clara a medida que criou a Diretoria Adjunta Materno-Infantil para dar mais celeridade às demandas. Ter o HGRS como referência federal vai muito ao encontro do que temos trabalhado, fortalecendo-o como formador de recursos humanos no âmbito do Sistema Único de Saúde e como instituição de ensino”.

Para o coordenador de Maternidades e Hospitais Especializados, Manoel Miranda, o Hospital Geral Roberto Santos tem um ponto forte para tornar-se referência no programa Mãe Canguru, que é uma gestão democrática, descentralizada e colegiada, aberta à discussão de construção do processo do cuidado materno-infantil, visando o reforço da política deste setor.

“A atenção materno-infantil tem se projetado na política de saúde do Estado, o que teve desdobramento na ampliação da rede na Bahia e na qualificação, com incorporação de residentes e abertura de novos campos de estágio, além de outras medidas”, afirmou Miranda.

A diretora de Gestão do Cuidado, Débora do Carmo, considerou a reunião proveitosa e destacou o esforço dos diretores e profissionais do HGRS em discutir as medidas necessárias para aprimorar o cuidado materno-infantil. “O programa Mãe Canguru é uma unidade importante, que precisa ser fortalecida. Dá para ver que o HGRS já mudou muito. Conseguimos estabelecer canais e regularizar fluxos. Agora, é estabelecer planejamento para fazer as adequações materiais e humanas necessárias”, afirmou. Criação de um banco de leite humano e espaço para realização do teste da orelhinha são algumas dessas medidas de adequação.

Mãe Canguru

Durante a reunião, foi apresentado o kit padrão do Ministério da Saúde para o programa Mãe Canguru, composto de sacola contendo capa (robe), encosto para o bebê, almofada para aleitamento e outros acessórios. O método Mãe Canguru consiste, basicamente, na manutenção do bebê prematuro o maior tempo possível junto ao corpo da mãe, substituindo-se o calor da incubadora pelo calor humano materno. “Ele permite a humanização, o contato precoce, estimula o aleitamento e favorece o desenvolvimento do bebê, inclusive cerebral”, disse Débora.

Ela ressaltou a importância do método não só para a família do bebê de baixo peso e prematuro, mas também para a gestão hospitalar, uma vez que contribui para antecipar a saída do bebê do hospital, otimizando a utilização de leitos e evitando possíveis problemas de contaminação para o recém-nascido.

“A unidade Mãe Canguru é uma peça fundamental em todos os serviços hospitalares com UTI e SemiUTI neonatais”, acrescentou Débora. No Hospital Roberto Santos, além das cinco tutoras, a equipe do programa funciona com sete enfermeiros e sete técnicos de enfermagem.