Elevar a qualidade do café produzido em Barra da Estiva. Esta é uma das metas para a agricultura do município, que realiza até esta sexta-feira (9), na Câmara de Vereadores, o 2º Encontro dos Produtores Rurais de Barra da Estiva, reunindo mais de 300 participantes da região e de localidades vizinhas.
Com o tema “Revitalização com Fortalecimento da Cafeicultura e Novas Alternativas para a Região”, o encontro visa ampliar o conhecimento dos produtores, orientando-os sobre os cuidados que devem ser tomados com o solo da lavoura e as novas tecnologias que garantem a qualidade da produção.
Na programação constam painéis e minicursos sobre os temas “A Importância da Análise e Conservação do Solo”, “Manejo para Conservação da Água do Solo”, “Manejo e Revigoramento da Lavoura Cafeeira e Proteção Contra o Vento”, “Principais Doenças do Cafeeiro e Controles”, “Novas Tecnologias para Obter a Qualidade do Café”, “Alternativas para Irrigação”, dentre outros.
O técnico da agência Estadual de Defesa Agropecuária (Adab), Alessandro Oliveira, salientou a importância de se manter a produção de café em um nível de qualidade elevado. “Barra da Estiva é uma região pujante, com grande potencial. A qualidade do café produzido deve ser uma preocupação constante”.
Na avaliação da prefeita Ana Lúcia Viana, “a agricultura é prioridade, importante para a vida do município. Por isso, há um ano temos trabalhado no sentido de elevar a qualidade do café da região, orientando os agricultores para que eles possam produzir mais e melhor”.
Enquanto o café de Barra Estiva não recebe um selo de qualidade, muitos agricultores têm feito a sua parte. No povoado do Camulengo, a 25 quilômetros do centro do município, uma comunidade quilombola composta por 28 famílias tem aproveitado os ensinamentos de técnicos da Ebda e da Secretaria Municipal da Agricultura para melhorar o solo das lavouras de café e a qualidade da produção.
O presidente da associação dos mini e pequenos produtores rurais do Camulengo, Ducimar Costa, conta que, no início, nenhum agricultor sabia até mesmo qual era o papel do agrônomo. “Nós trabalhávamos muito errado com o café. Não sabíamos como fazer a adubação e nem o cultivo de modo correto. Hoje ainda se trabalha de maneira errada. Por isso, é necessário que sejam realizados encontros como esse. O nosso café vai se tornar tão bom quanto o de outras localidades próximas como Barra do Choça, que hoje já é exportado”.
A ideia é que o café do município ganhe, num futuro próximo, um selo próprio. Além disso, que atinja o mesmo patamar de outros municípios como Piatã e Luís Eduardo Magalhães, cuja produção está bem desenvolvida. Além disso, a prefeitura trabalha no sentido de incluir Barra da Estiva, em setembro deste ano, no concurso estadual do café. Analisa ainda a possibilidade de realizar um concurso municipal no qual será avaliada a qualidade do produto.
Para o secretário da Agricultura, Eduardo Salles, é necessário não somente conquistar o mercado consumidor, como também manter o café num excelente patamar. “Esse é um trabalho da prefeitura de Barra da Estiva, em parceria com a Semagri”.
Produtividade
Nos últimos 12 meses Barra do Estiva registrou um incremento de 30% na produtividade do café, conforme avaliou o agrônomo da Semagri, Álvaro Ferraz. Isso graças a uma maior assistência técnica prestada e também à realização de análise do solo, um trabalho feito em parceria com a Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (Uesb).
“Havia terras cujos solos há 10 anos não eram analisados. Estavam desequilibrados, sem adubos e nutrientes”, disse o agrônomo. No ano passado, foram realizadas 1,2 mil análises do solo em Barra da Estiva.
Ele enfatizou ainda que é preciso melhorar a qualidade do café produzido na região. Mas, para que isso ocorra, os agricultores familiares precisam adotar algumas medidas. A primeira seria tornar a pós-colheita mais eficiente, com o uso de despolpadores e estufas. Quando a secagem do café é feita em estufas, a qualidade aumenta. “O sabor é superior. Por isso, o valor do café seco em estufa é maior”, explica.
Ainda de acordo com Ferraz, é necessário acabar com antigos costumes dos agricultores como utilizar arados e grades na roçagem. “Se a roçagem é feita de forma indevida, as raticelas, aquelas raízes que nutrem a planta, são destruídas. É como se a nossa língua fosse cortada o tempo todo”.