Mais de duzentos representantes de comunidades quilombolas dos municípios de Senhor do Bonfim, Filadélfia, Antônio Gonçalves, Nordestina, Mirangaba, Pindobaçu, Campo Formoso e distritos da região se reuniram nesta quinta-feira (13), no Centro Cultural do Município de Senhor do Bonfim, no norte do estado, a 376 quilômetros de Salvador, para participar do III Encontro Integrado de Políticas Públicas para Comunidades Remanescentes de Quilombos. Na ocasião, foi criado o primeiro Conselho Regional de Comunidades Remanescentes de Quilombo da Região de Senhor do Bonfim – Norte da Bahia.
Para a secretária da Associação Comunitária Agropastoril Quilombola de Tijuaçu e Adjacências, Hilta Costa Araújo, do distrito de Laje dos Negros, no município de Campo Formoso, a 96 quilômetros da sede, o encontro é importante porque fortalece o movimento na região e traz outros segmentos sociais para participar. “Se os povoados não tiverem organizados é difícil termos acesso às melhorias e projetos que buscamos”.
Durante o encontro, os participantes assistiram palestras sobre o histórico político-social e os avanços e desafios do negro no Brasil e apresentação do projeto de inclusão de comunidades remanescentes de quilombo, realizada pelo coordenador do Núcleo de Quilombos da Companhia de Desenvolvimento e Ação Regional (CAR), órgão da Secretaria de Desenvolvimento e Integração Regional (Sedir), Antônio Fernando Silva. Também foram apresentados os projetos de prevenção e saúde para essas comunidades, o Programa de Ações para as Comunidades Remanescentes de Quiolombos, do Ministério do Desenvolvimento Social (MDS), o Programa de Educação para as Comunidades Remanescentes de Quilombos, do Ministério da Educação (MEC) e da Secretaria de Educação do Estado da Bahia, entre outros temas.
Antonio Fernando ressaltou que o Projeto de Inclusão das Comunidades Remanescentes de Quilombos, executado pela CAR, já é uma realidade nas comunidades assistidas. “A Sedir e a CAR estão empenhadas neste projeto, que contempla ações específicas para essas comunidades. O Governo da Bahia está bem articulado com suas secretarias estaduais e a meta é combatermos a pobreza e as desigualdades regionais, potencializando as vocações destes povos, resgatando sua cultura e desenvolvendo projetos de desenvolvimento essenciais à melhoria da qualidade de vida dessas famílias”.
Participação
Com camisas e faixas do Projeto Acorda Quilombo e organizadas em caravanas vindas de vários povoados do norte baiano, as comunidades lembraram o dia 13 de maio, data histórica que aboliu a escravatura no país, com importantes reflexões e avanços em prol do desenvolvimento de centenas de povos remanescentes de quilombos da Bahia. Também fizeram belas demonstrações da cultura negra, como a dança do Corta-Cana, de Tijuaçu, e os sambas de reis e de lata.
A iniciativa empreendida pelo Governo da Bahia, por meio da Sedir e da Coordenação de Apoio aos Povos e Comunidades Tradicionais, da CAR, teve a presença de lideranças políticas e quilombolas regionais, além de representantes de várias secretarias estaduais e municipais.
Segundo o coordenador das comunidades remanescentes de quilombos da região de Senhor do Bonfim, Valmir dos Santos, morador do distrito de Tijuaçu, o encontro é fundamental para a organização e fortalecimento dessas comunidades. “É necessário reivindicarmos dos órgãos públicos o direito devido e, assim, tirar do papel as várias leis que até hoje muitas comunidades ainda não conhecem”, destacou.
Para ele, é preciso que as comunidades quilombolas resolvam questões imprescindíveis, como aquelas relacionadas à regularização fundiária, educação, saúde e habitação, além de obterem o reconhecimento da importância do negro na esfera econômica. “Queremos que as instâncias pública, privada e social, de modo geral, entendam as dificuldades que ainda enfrentamos em áreas básicas para o desenvolvimento. Estamos felizes com os projetos que o Governo do Estado vem executando em parceria com as associações comunitárias. Agradecemos à CAR, às lideranças quilombolas e a todas secretarias envolvidas nesse processo”.