Bahia é destaque na Bienal do Livro de Minas Gerais

Publicado: 17/05/2010 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

O estande da Bahia, na Bienal do Livro de Minas, vem se destacando entre os mais de 200 expositores montados na ExpoMinas. A participação baiana no evento, que começou no dia 14 deste mês e termina no domingo (23), é resultado de uma parceria entre a Câmara Bahiana do Livro (CBaL) e o Governo do Estado, por meio das secretarias de Cultura (Secult) e da Indústria, Comércio e Mineração (Sicm). No estande há cordéis, poesia, quadrinhos, contos, romances, livros de arte, patrimônio, religião, entre outros temas. São obras de autores consagrados como Jorge Amado, João Ubaldo Ribeiro, Antonio Torres e Milton Santos, e de nomes contemporâneos como Iray Galrão, Mayrant Gallo, Aurélio Schommer, Marilda Santanna, entre outros.

O público é recebido por escritores e representantes da cadeia produtiva do livro, que apresentam as obras e respondem perguntas sobre a cultura baiana. Estão presentes os autores Clara Maciel, Ivone Alves Sol, Hugo Homem, Miriam Sales e Nilson Schommer.

O espaço baiano chama atenção pelo projeto artístico criado por Zuarte Jr, que valoriza elementos da religiosidade baiana, além de apresentar uma cronologia do livro. Outro atrativo é o número de obras (mais de três mil livros), que refletem a diversidade e a qualidade literária baiana.
“O volume de vendas nos três primeiros dias da Bienal tem sido significativo, com destaque para os livros de arte e os que tratam da cultura afrobaiana. O mais importante é a intensa movimentação de pessoas o dia inteiro no estande, conhecendo as obras e conversando conosco sobre a Bahia”, destaca a escritora Miram Sales, que integra a Câmara Bahiana do Livro.

Aos 67 anos, Miriam é uma ativista em defesa do livro e da literatura baiana. Ela é autora dos livros Contos e Causos, Maktub e Bahia de Outrora, além de centenas de crônicas publicadas na internet, em três blogs que a autora mantém com atualizações diárias como o Contos e Causos.

“Gosto de escrever causos sobre a Bahia antiga e contos sobre o dia-a-dia, minhas observações do mundo. Sempre com muito humor, que é marca da minha escrita”, diz a autora. A coletânia Contos e Causos esgotou no terceiro dia da bienal de Minas Gerais.

Outro escritor satisfeito com o interesse do público mineiro pela literatura baiana é Hugo Homem, autor de oito obras publicadas, entre romances, novelas, contos e literatura infantil. “O que os visitantes mais elogiam no estande da Bahia é a diversidade da literatura baiana, a qualidade das impressões e o baixo preço dos livros”.

Ele trouxe para a Bienal, a novela O Homem em Pé, que é ambientada na era medieval e conta a história de um bibliotecário que esqueceu como se deita. Com esta obra, Hugo Homem inaugurou um gênero literário. “Depois do realismo fantástico, temos o ‘absurdo coerente’. São histórias construídas com detalhes surpreendentes que as tornam possível”, explica o escritor, que tem se dedicado também à literatura infanto-juvenil.

Público infantil é prestigiado

No estande baiano, as crianças se divertem folheando as páginas dos livros A Cachoeira Encantada, uma fábula ecológica, e As Letras Roubadas, na qual Hugo Homem utiliza a clássica aventura do sapo que se tornar príncipe para apresentar a língua portuguesa ao público infantil.

Há outros destaques para o público infantil como os quadrinhos da Turma do Xaxado, de Antonio Cedraz, e as aventuras de Lucas e seus amigos, da série Fala Menino, de Luis Augusto.

O que também tem chamado atenção dos leitores infanto-juvenis é a história do mais jovem escritor baiano, Gabriel Francisco Maciel, que aos 11 anos já possui quatro livros publicados, e sua irmã, Camila Maciel, de 14 anos, autora do Um Pesadelo Chamado Otto, uma aventura com linguagem jovem e com mensagem positiva. Os livros do jovem escritor Gabriel Maciel são Izzy, a Rainha dos Iguanas, O Unicórnio do Chifre Dourado, O Pequeno Grande Herói e História do Folclore.

A família Maciel está representada pela escritora Clara Maciel, mãe e maior incentivadora dos jovens escritores. No romance A Ilha dos Condenados, a escritora narra uma aventura de uma organização que criou sua própria justiça, mandando criminosos para uma ilha, onde acontecem muitas atrocidades. Clara Maciel possui quatro livros publicados, que ela própria vende em praças e eventos de Salvador.

A poesia baiana também está representada no estande, por meio da poeta Ivone Alves Sol, que levou à Bienal a coletânia Dia das Mães, poemas de autores baianos em homenagem às mães que possui oito poesias dela. A escritora já integrou outras duas coletâneas literárias. SOLvendo Sentidos é o título do primeiro livro individual da poeta, com previsão de lançamento em agosto deste ano. Alguns dos mais de 800 textos de Ivone Alves Sol podem ser lidos pelo site Recanto das Letras.

Estado expõe mais de três mil livros baianos

A Bienal do Livro Minas 2010 é organizada pela Câmara Mineira do Livro e conta com a participação de diversos autores destacados como Ruy Castro, Frei Betto, Arthur Dapieve, Letícia Wierszchovski, Zuenir Ventura, Moacyr Scliar, Arnaldo Bloch, e um dos baianos de maior projeção na literatura nacional, Ruy Espinheira Filho.

No estande da Bahia estão expostos mais de três mil exemplares de livros baianos, de editoras como Edufba, Corrupio, Via Litterarum, Arcadia e Kalango, de autores independentes e produções da Secretaria de Cultura do Estado, por meio da Fundação Pedro Calmon e Ipac.

Para o presidente da Câmara Bahiana do Livro, Aurélio Schommer, tal delegação, inédita em eventos da cadeia produtiva do livro, “é uma grande oportunidade para agregar negócios a nossos empresários do livro”. Ele destaca ainda que “o governo da Bahia, com a presença na Bienal de Minas, demonstra o efetivo compromisso com a literatura enquanto arte e ofício, e, principalmente, com quem faz e distribui o livro enquanto negócio, gente sem a qual a literatura não chega ao leitor”.

Para o secretário de Cultura do Estado, Márcio Meirelles, a participação da Bahia na Bienal de Minas é uma oportunidade de fortalecer a cadeia produtiva do Livro. “O Estado tem esse papel de articulador. Na medida em que promovemos o setor livreiro da Bahia em outros estados, nós aumentamos nossa capacidade de articulação e construção de políticas públicas. Queremos fortalecer o setor e buscamos sustentabilidade. Sem ela, não há possibilidade de termos um parque editorial na Bahia e nem mais leitores”.

Bienal do Rio

Esta não é a segunda vez que a Câmara Bahiana do Livro e Secult participam de uma Bienal fora da Bahia. Em setembro de 2009, em parceria com editoras locais e livrarias, autores baianos estiveram na 14ª Bienal Internacional do Livro do Rio de Janeiro. Segundo a Câmara Bahiana do Livro, na ocasião foram comercializados cerca de mil exemplares, totalizando uma receita de aproximadamente R$ 16 mil.