Sincretismo marca os festejos pela Independência da Bahia

Publicado: 02/07/2010 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

A segunda parte dos festejos alusivos à Independência Baiana, o 2 de Julho, continuou na tarde desta sexta-feira (02), e foi marcada por manifestações do povo baiano e participação de militares. O sincretismo religioso baiano se misturou ainda mais com as homenagens cívicas.

No 2º Distrito Naval, a Corveta Caboclo ficou fundeada na Baía de Todo-os-Santos. Dezenas de marinheiros ficaram postados na embarcação, que foi enfeitada de bandeiras que caracterizam datas festivas como o Dois de Julho.

Assim que o governador Jaques Wagner, entre outras autoridades, posicionou-se frente ao pavilhão, houve uma salva de 21 tiros em homenagem à Bandeira Nacional e aos combatentes que defenderam a nação dos ataques realizados pelo mar, entre eles, João das Botas.

“A homenagem é em memória aos heróis da Batalha de Itaparica que foi comandada por João das Botas, conhecido como marinheiro da liberdade, que consolidou de fato a Independência do Brasil. Foram 7 meses de luta na Baía de Todos-os-Santos com grande participação dos barcos de João das Botas”, afirmou o vice-almirante, Carlos Autran Amaral, comandante do 2º Distrito Naval da Marinha do Brasil.

Participação mesmo com chuva

Mesmo com as chuvas durante todo o dia, previamente anunciada pelo Centro Estadual de Meteorologia da Bahia (Cemba/Ingá), milhares de pessoas, entre populares, secretários de Estado, o vice-prefeito de Salvador, Edvaldo Brito e o governador Jaques Wagner, cumpriram todo o percurso seguindo os carros do caboclo e da cabocla.

Após a homenagem realizada pela Câmara Municipal de Salvador, o cortejo seguiu para o Campo Grande, e no Forte de São Pedro, o Exército Brasileiro prestou suas honras. Entre as homenagens, o governador Jaques Wagner e o general de divisão João Francisco Ferreira, comandante da 6ª Região Militar (Bahia e Sergipe) descerraram uma placa em memória aos vaqueiros e tropeiros que saíram do interior da Bahia para reforçar a defesa brasileira contra os soldados portugueses.

Homenagem aos sertanejos

O desfile da Ala Esquerda do Exército Pacificador, por soldados caracterizados com vestimentas da época, foi uma das homenagens inéditas prestadas pela força armada, que é responsável pela defesa terrestre do país.

Para o diretor-geral da Fundação Pedro Calmon, Ubiratan Castro, a homenagem aos sertanejos foi o destaque deste ano. “Pela primeira vez se fez uma homenagem à Ala Esquerda do Exército, a dos mais pobres, dos voluntários sertanejos que largaram suas roças, suas boiadas para virem lutar pela independência”, explica o historiador.

Para o chefe de gabinete do governo da Bahia, Fernando Schmidt, “o cortejo representa a gratidão do povo da Bahia aos heróis da libertação. Se esta luta não tivesse ocorrido, não seríamos um país independente ou talvez fôssemos dois países”.

Música e tradição

Com as mãos firmes nas cordas e sem pestanejar, os integrantes do Batalhão Quebra-Ferro subiram e desceram as ladeiras do trajeto puxando os dois carros, um com a imagem da cabocla e outro com a do caboclo. Cinquenta homens vestidos de amarelo puxavam o primeiro carro, com a imagem feminina. O outro batalhao vinha logo atrás, também com 50 homens, porém vestidos de verde.

Como todos os anos, os índios, personagens fundamentais na história da colonização e da libertação brasileira, também participaram. Acompanhados por mães de santo, um grupo de 45 indígenas do grupo Os Guaranis saíram da Ilha de Itaparica e desfilaram tocando instrumentos de madeira.

Os clássicos da música popular brasileira, principalmente as tradicionais marchinhas, também foram lembrados pelas filarmônicas. Fundada em 1895, a Sociedade Phylarmonica Lyra Popular viajou com 31 membros de Lençóis, na Chapada Diamantina, para a capital baiana, exclusivamente para participar do cortejo. “É um orgulho para nós. Como uma sinfônica centenária, não poderíamos ficar de fora”, declarou o regente Emerson Brito.

Antes de chegar ao bairro de Pirajá, em Salvador, a tocha que saiu de Cachoeira, percorreu as cidades de Saubara, Santo Amaro, São Francisco do Conde, Candeias e Simões Filho. Assim que a pira foi acesa, no Campo Grande, pela nadadora Caroline Oliveira, de 14 anos, milhares de pessoas protegidas por guarda-chuvas, capas plásticas ou até mesmo sem proteção ovacionaram os símbolos cívicos. Muitas pessoas queriam fotografar a chama posicionada na frente do monumento imponente que ostenta três palavras que resumem o Dois de Julho: Liberdade, igualdade e fraternidade.