Comitê define plano de ação para saúde da população negra

Publicado: 20/08/2010 Última atualização: 05/10/2026 às 14:07

Técnicos, graduados e pós-graduados baianos de saúde serão estimulados a adquirir conhecimentos sobre a saúde da população negra. Esta é uma das estratégias sugeridas para a política estadual que visa garantir atenção adequada às especificidades desse segmento da população na área. Na quinta-feira (19), o comitê responsável pela elaboração do projeto sistematizou o plano de ação que saiu de uma reunião técnica realizada no início do mês, com a participação de especialistas de outros estados.

“O grande desafio é a formulação e implementação de políticas estadual e municipais baseadas nas diretrizes nacionais e com o olhar direcionado para as especificidades culturais e genéticas da população negra”, declarou a secretária de Promoção da Igualdade, Luiza Bairros.

A necessidade de instituição da proposta, segundo afirmou, se escora em indicadores como os da mortalidade materna, que é evitável e acomete um número extremamente superior de mulheres negras em relação às brancas. Outras análises dão conta de situações que poderiam ser evitadas na promoção e prevenção da saúde, a exemplo do Acidente Vascular Cerebral (AVC), que está relacionado à falta de atenção com a pressão alta.

De acordo com a superintendente de Atenção Integral à Saúde da Secretaria Estadual da Saúde (Sesab), Gisélia Santana, muitos pacientes que apresentam complicações de patologias, atingindo estágios agudos como a insuficiência renal e o AVC, não tiveram atenção básica para doenças como diabetes e hipertensão. Por conta desse panorama, o comitê técnico propõe tanto o levantamento diagnóstico, quanto a formulação e implementação de políticas estadual e municipais de saúde da população negra, baseadas nas diretrizes da proposta nacional.

Para atingir as metas, além da formação dos profissionais, o projeto vai instituir ações que visam à inclusão do quesito cor em todos os formulários e sistemas de informação da área. Outras estratégias preveem o mapeamento das instituições superiores de ensino e pesquisa que estejam desenvolvendo trabalhos correlatos e a abertura de editais multidisciplinares direcionados ao tema.

“A perspectiva é de fortalecimento do diálogo com a população, os conselhos e as entidades de classe, visando à implementação de uma política que dê conta do passivo que existe”, afirmou a coordenadora de Defesa dos Direitos da Secretaria de Promoção da Igualdade (Sepromi), Karine Limeira.

Além de gestores da Sepromi e da Sesab, participaram da reunião representantes das secretarias de Saúde e da Reparação de Salvador e do Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra (CDCN), órgão colegiado da Sepromi.